(Nous trois ou rien, FRA, 2016)
GÊNERO
Direção: Kheiron
Direção: Kheiron, Leïla Bekhti, Gérard Darmon, Zabou Breitman, Alexandre Astier, Kyan Khojandi, Arsène Mosca, Jonathan Cohen, Eriq Ebouaney, Carole Franck, Camélia Jordana, Michel Vuillermoz, Sébastien Pouderoux, Khereddine Ennasri
Roteiro: Kheiron
Duração: 102 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Hibat Tabib morava com seus pais e seus 11 irmãos em uma pequena cidade do Irã. Formado advogado, tinha o sonho de fazer do mundo um lugar melhor, e começou a trabalhar por isso tentando mudar a realidade de seu país.

Para falar de Nós ou Nada em Paris é preciso contextualizar. Durante a juventude de Hibat, o Irã vivia sob a ditadura do xá Reza Pahlavi, um homem que sempre negou direitos ao povo em benefício próprio. Cansada, a população começou uma onda de protestos e movimentos organizados que pediam a renúncia do soberano. O retorno às ações foi o mais violento possível.

Por ser um dos cabeças do movimento, Hibat foi preso e passou sete anos sendo submetido a torturas, mas acabou sendo libertado em uma das últimas tentativas de Pahlavi para manter o poder. Mal sabia ele, e muitos dos bem intencionados que lutavam ao lado dele, que o que viria depois da queda do xá seria muito pior.

O novo chefe de estado do Irã passou a ser o aiatolá Khomeini, que instaurou uma ditadura religiosa ainda mais dura e restritiva de direitos que seu antecessor. A decepção veio forte, mas não impediu que novos grupos organizados tentassem uma nova mudança, pela democracia. Hibat, agora casado com Fereshteh, passou um período vivendo com nômade por Teerã, de aparelho em aparelho. Com a chegada do filho, ele e sua esposa acharam melhor buscar o exílio.

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Foi assim que Paris entrou na história do casal, do mesmo modo que outras cidades europeias entraram na vida de muitos exilados políticos vindos do Irã.

Baseado na história real do casal, Nós ou Nada em Paris foi dirigido por Kheiron, filho de Hibat Tabib na vida real e que aqui também atua, interpretando seu pai. Apesar do interessante sujeito retratado, de toda a positividade e de uma certa esperança deixada, o filme tem suas irregularidades.

Para começar, transformar a história dos próprios pais em filme traz uma idolatria que compromete o resultado final. Além disso, há uma tentativa de humor ingênuo que ora funciona, ora não surte qualquer efeito e, para piorar, esvazia momentos onde o foco deveria estar na tensão ou no drama.

Outro problema, bem incômodo, está na distribuição da ação. Com um roteiro interessado em várias pequenas situações, muito do que interessaria está incompleto e, por mais de uma vez, as situações são vazias e pouco justificadas. Há ainda um certo apego à situações comoventes, o que deixa no filme um gosto piegas e pouco funcional, como em várias sequências do centro comunitário.

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Mas, mesmo que sejam problemas graves, é interessante como a atenção no filme se mantém e como tudo aquilo, em um momento de tanta desilusão com o mundo e com a humanidade, traz uma doçura e uma vontade de acreditar.

Ao contar a história de seu pai e de sua mãe, Kheiron inspira quem assiste ao filme por mostrar que pequenas ações individuais podem sim modificar a realidade de um grupo de pessoas.

Assim como o protagonista de Nós ou Nada em Paris, muitos sonham em transformar o mundo em um lugar melhor. E é acolhedor saber que isso é realmente possível.

Um Grande Momento:
A ligação silenciosa.

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