(Ninguém Ama Ninguém… Por Mais de Dois Anos, BRA, 2015)

Drama
Direção: Clóvis Mello
Elenco: Gabriela Duarte, Michel Melamed, Pedro Brício, Luana Piovani, Ernani Moraes, Marcelo Faria, Lidi Lisboa, Branca Messina, Antônio Fragoso, Thelmo Fernandes, Zezeh Barbosa, Débora Olivieri, Paulo Reis
Roteiro: Rodrigo Vasconcelos, Paula Santos, Marina Meira
Duração: 87 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Voltar à Nelson Rodrigues não é uma tarefa fácil hoje em dia, mas o diretor Clóvis Mello resolveu tentar em sua estreia nos cinemas como diretor. Para isso, ele escolheu algumas crônicas publicadas no jornal Última Hora, até chegar ao número de cinco, as que integram Ninguém Ama Ninguém… Por Mais de Dois Anos, um dos bordões criados por Rodrigues.

Mello acerta no formato não engessado dos contos individuais, deixando que uma história converse com a outra e tentando criar um ponto de ligação com o garçom Juventino, que trabalha no Bar Epitácio e tem também a sua história. É o que talvez consiga separar completamente seu filme da minissérie televisiva dirigida por Daniel Filho A Vida Como Ela É.

A separação, porém, não é suficiente para apagar a outra adaptação de contos rodriguianos, lembrança que se acende com a apresentação dos créditos iniciais e que, talvez pela levada bastante televisiva impressa por Mello, volta e meia está de novo na cabeça do espectador. E, pior, comparando a qualidade das produções, as atuações, o equilíbrio entre as histórias. Não que o filme seja inferior nesses quesitos, é bem produzido e conta com um bom elenco, mas fica devendo ao seriado. A falta de equilíbrio é um problema mesmo, que incomoda quem assiste ao longa-metragem.

O diretor também se atrapalha com a trilha sonora, muitas vezes injustificada e algumas delas apenas exagerada mesmo, e com algumas opções visuais, como o uso de blur e de movimentos de câmera pouco relevantes.

Mas nenhum desses problemas é tão grave como o distanciamento do próprio Nelson Rodrigues. Quem assiste a Ninguém Ama Ninguém… Por Mais de Dois Anos, sabe que se trata de uma história dele, reconhece alguma coisa, mas falta o estilo seco, ácido e irônico do escritor. Como se a seleção de contos privilegiasse histórias que não funcionam mais hoje em dia, ou como se amenizasse para tentar ser mais politicamente correto. O fato é que o resultado é estranho e pouco funcional nos dias de hoje.

Ainda assim, é um filme simpático, que consegue trabalhar bem com os dois gêneros que resolve encarar, e que segue bem, sem cansar o espectador. Mas que falta Nelson Rodrigues, isso falta!

Um Grande Momento:
Só pagando.

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