(I Don’t Know How She Does It, EUA, 2011)

Comédia
Direção: Douglas McGrath
Elenco: Sarah Jessica Parker, Pierce Brosnan, Greg Kinnear, Christina Hendricks, Kelsey Grammer, Seth Meyers, Olivia Munn, Jane Curtin, Busy Philipps
Roteiro: Allison Pearson (romance), Aline Brosh McKenna
Duração: 89 min.
Nota: 2 ★★☆☆☆☆☆☆☆☆

Não há nada mais certo do que o ditado “de boas intenções o inferno está cheio”. Não Sei Como Ela Consegue chega com um objetivo muito digno e justo, mas acaba funcionando exatamente da maneira contrária à desejada. Sua tentativa de demonstrar a dupla jornada das mulheres é tão cheia de estereótipos e preconceitos que acaba sendo um desserviço à qualquer mulher.

Montado como alguns seriados televisivos de sucesso, o filme conta a história de Kate Reddy uma dona de casa que busca crescer na carreira, intercalando momento de seu cotidiano com depoimentos de personagens secundários sobre a vida corporativa das mulheres.

O problema é que Kate é atrapalhada, estabanada e não consegue fazer nada direito. A mensagem que salta aos olhos durante boa parte do filme é a de que uma mulher não pode ter sucesso na carreira e criar os filhos adequadamente. Não faltam clichês à trama: o bom desempenho profissional é questionado pela sogra, o filho caçula que não fala uma palavra, a filha que é esquecida na escola, a tentativa frustrada de organização doméstica e o marido que é visto como santo porque ajuda na casa.

Para completar, uma gama de personagens secundários absurdos, como a dondoca que passa o dia inteiro na academia dedicando-se a ela mesma e tem dinheiro para administrar melhor a vida (como se mulheres pobres não pudessem ser mães e ter uma vida ao mesmo tempo) ou a colega de trabalho que abomina a possibilidade de ter um filho porque precisa se dedicar ao trabalho. Tudo muito inadequado e, de certa maneira, indignante.

Porém, nada é tão grave quanto a péssima relação que se estabelece depois que Kate ganha a confiança de seu chefe, Jack, e as intenções de ambos começam a se confundir. Quer dizer que uma mulher que passa muito tempo dedicando-se ao trabalho acaba suscetível a uma relação extra-conjugal? Incrível pensar que isso foi escrito por uma mulher e adaptado por outra.

Completando o conjunto de equívocos, temos a atriz principal. Sarah Jessica Parker (Sex and The City) é um daqueles mistérios do cinema. A antipatia da moça, algo meio perdido entre um ar de superioridade e uma falta absoluta de carisma, é gritante e contraria completamente aquilo que é necessário para uma protagonista de comédias românticas. Mas ela é insistente e além de suas duas versões cinematográficas do seriado novaiorquino, vem acumulando papéis no gênero (Cadê os Morgan?, Armações do Amor e Tudo em Família, por exemplo) sem muito sucesso.

Além disso, a direção de Douglas McGrath (Emma) é preguiçosa e a montagem conjunta de Kevin Tent (Os Descendentes) e Camilla Toniolo (Confidencial), como já foi dito, é equivocada. Para completar, o roteiro de Aline Brosh McKenna (O Diabo Veste Prada) não resiste a facilidades e não tem vergonha de relegar o conflito principal, a dupla jornada e o machismo corporativo, ao segundo plano. Gasta tanta energia para resolver o problema da atração entre chefe e funcionária que sobram ajustes pouco explicados e rasos para qualquer outra coisa.

Sem atrativos além do elenco de apoio interessante, com Pierce Brosnan (O Escritor Fantasma), Greg Kinnear (Pequena Miss Sunshine) e Christina Hendricks (Juntos pelo Acaso), o longa acaba sendo um desperdício de tempo e de dinheiro.

Queria ter sido um filme feminista, mas mais machista do que isso é quase impossível.

Um Grande Momento:
Os comentários de Allison Henderson.

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