(Tore tanzt, ALE, 2013)

Drama
Direção: Katrin Gebbe
Elenco: Julius Feldmeier, Sascha Alexander Gersak, Annika Kuhl, Swantje Kohlhof, Til-Niklas Theinert, Daniel Michel, Nadine Boske, Christian Bergmann
Roteiro: Katrin Gebbe
Duração: 110 min.
Nota: 3 ★★★☆☆☆☆☆☆☆

Há várias maneiras de um filme dialogar com o espectador. Às vezes é o texto que remete àquela particularidade que personaliza a experiência; às vezes são imagens, músicas; às vezes a parte, às vezes o conjunto. Independentemente de como, um filme que consegue tocar, trocar informações dessas maneira, permanece na vida de quem o assistiu para sempre.

A reação ao filme, porém tem que acontecer de forma natural, espontânea. Nenhum filme que saia impondo reações a si chega nesse nível de perpetução. É claramente o caso de Nada de Mau Pode Acontecer.

O filme conta a história de Tore, um fanático religioso que vive com um amigo e é membro de uma comunidade conhecida como Jesus Freaks. Um dia, ele cruza com uma família na estrada. Tentando ajudar, ele resolve orar sobre o capô do carro que não funcionava mais. Imediatamente o motor dá a partida.

Aquele homem que foi ajudado na estrada acaba encontrando-se novamente com Tore e retribui o favor em um momento de necessidade. A amizade entre os dois vai crescendo e T. acaba mudando-se para uma barraca no quintal da casa da família.

Durante todo o tempo o longa parece tentar traçar um paralelo entre a religião e a falta de fé, mas se perde de maneira tão grosseira em seu maniqueísmo que é impossível dar credibilidade àquilo que se vê.

A manutenção da personalidade firme do protagonista crente se contrapõe à instabilidade do antagonista ateu. Como se sabe, uma batalha narrada que privilegie um dos lados, já nasce desinteressante. O objetivo da beatificação do personagem é torná-lo mais interessante, mas o efeito é o contrário.

Consciente ou inconscintemente, Katrin Gebbe arruma uma maneira de resolver o problema causado pela falta de credibilidade. Ao entregar o filme a uma despropositada e exagerada violência, a diretora consegue fazer com que os espectadores fiquem na sala esperando alguma mudança no que se estabeleceu, alguma reação de T.

Tem tortura para todos os gostos e variedades: o jovem é humilhado, agredido fisicamente, explorado sexualmente, ignorado e roubado. Há cenas nojentas, como a particularmente repugnante do frango. Tudo para embrulhar o estômado de quem está assistindo ao filme. O único proposito narrativo não está ligado à história, mas ao objetivo de causar desconforto.

Uma espécie de cinema de reação que nada acrescenta à vida de ninguém, e, pior, não consegue trazer sua mensagem para discussão, relegando-a a uma repetição de repulsas e engulhos.

Completamente desnecessário.

Um Grande Momento:
Quando a luz do cinema acende.

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[36ª Mostra de São Paulo]