(Cloclo, FRA/BEL, 2012)

Drama
Direção: Florent-Emilio Siri
Elenco: Jérémie Renier, Benoît Magimel, Monica Scattini, Sabrina Seyvecou, Ana Girardot, Joséphine Japy, Maud Jurez, Marc Barbé, Eric Savin, Sophie Meister, Janicke Askevold
Roteiro: Julien Rappeneau, Florent-Emilio Siri
Duração: 148 min.
Nota: 4 ★★★★☆☆☆☆☆☆
Obras que se destacam não faltam no mundo das artes. Há músicas que conseguem transcender as barreiras e acabam conquistando o público de várias nacionalidades, faixa etária e até mesmo gosto musical. É o caso de ‘My Way’, versão em inglês da canção ‘Comme d’habitude’, do compositor e cantor Claude François, simplesmente a música mais conhecida do mundo.

Mas destaque não quer dizer unanimidade e eis que justo eu, uma das poucas pessoas que nunca conseguiu gostar de ‘My Way’, fui encarregada de escrever sobre o filme que conta a trajetória de vida de François. A duração da canção e sua melodia repetitiva e extremamente linear sempre mais me irritaram do que agradaram. Sem falar no incômodo desacordo entre a sensação melódica e o significado dos versos que estão sendo cantados, seja na versão nostálgico-biográfica em inglês ou na história de desilusão amorosa em francês, por acaso repetitiva também na letra.

Obviamente, a música está presente mais de uma vez, nas duas mais conhecidas versões e serve de base para alguns momentos da trilha sonora de Alexander Desplat, mas ela nada tem a ver com o mau sentimento despertado pelo longa. Ainda que a música clímax fosse completamente outra, como qualquer composição de Claude François, pouco se salvaria do filme de Florent-Emilio Siri.

Quadrado ao extremo, o filme reservou algumas boas imagens para seu início, quando se passa no Canal de Suez, mas não conseguiu mantê-las ou destacá-las depois que a trama vai ganhando corpo com a definição do protagonista. O Claude François, ou Cloclo como a família o chamava, apresentado na tela oscila entre o desinteresse e a antipatia. Se sem envolvimento com o personagem já fica difícil segurar o filme por quase duas horas e meia de duração, a superficialidade de toda a trama e uma pontual e estranha cara de junção de episódios deixa a experiência ainda mais árdua para o espectador.

O distanciamento do cenário pop musical francês e a pouca intimidade com o ídolo também não ajudam muito, mas parece faltar a Siri a noção de que momentos potencialmente fortes poderiam reverter a situação. No lugar disso, o uso de artifícios por vezes pretensiosos esvazia possíveis identificações mais universais, como o momento em que recebe o compacto pelo correio.

Entre os pontos altos do filme está a interpretação da atriz italiana Monica Scattini como a mãe do cantor viciada em jogo, mas que transparece uma simpatia e uma dedicação à família contagiantes. O mesmo pode ser dito da vigorosa recriação do sempre excelente Jérémie Renier, aqui num trabalho corporal impressionante, ainda que seu Cloclo, acabe enfraquecido pela quantidade de histórias contadas – talvez mais adequadas para um seriado – e o pouco aprofundamento pessoal, além de ter que superar a péssima sensação de justificativa ou minimização, sem sucesso, dos péssimos hábitos do protagonista com um passado de rejeição.

No final das contas, quem não tem muita intimidade com a história acaba se incomodando com os muitos equívocos, os poucos acertos e a estrutura pouco atrativa. Feito exclusivamente para fãs, My Way – O Mito Além da Música acaba ficando no meio do caminho e se identifica da pior maneira que poderia com a música que fez Claude François ficar famoso em todo o mundo: é repetitivo, invariável e não poderia ser mais batido.

Um Grande Momento

A primeira cena do jovem Cloclo no cais.

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