O Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília recebe, de 22 de novembro a 4 de dezembro, a Mostra Internacional de Filmes Interativos. Com a exibição de quinze títulos de diversos países e de épocas diferentes, a mostra faz um apanhado do que já existe hoje de cinema com a participação dos espectadores e ainda conta com mesas redondas sobre mercado, a produção nacional e a evolução do gênero.

Serão duas semanas de exibições em que o público terá a chance de interagir e modificar as histórias que acontecem na tela. Há filmes com até 11 diferentes finais, mas o espectador não define somente o final e sim interage e interfere na história ao longo de toda a exibição dos filmes. A cada cinco ou 10 minutos um menu aparece na tela do cinema e o espectador, munido de um controle remoto, vota e escolhe pra onde a história ou as personagens devem seguir.

A experiência da interatividade no cinema, ainda praticamente inacessível e até pouco tempo vista como impossível, agora é realidade e vem sendo bastante apreciada como mais uma ferramenta para o usuário digital. Nesse contexto, a Mostra Internacional de Filmes Interativos surge como oportunidade única para o público participar da experiência de interatividade na telona e, porque não, expressar seus desejos e experimentar a possibilidade de vivenciar e decidir o rumo de um filme.

Para as mesas redondas, a Mostra Internacional de Filmes Interativos traz a Brasília realizadores de vários países e do Brasil, além de pesquisadores e pensadores da interatividade, com o propósito de definir e difundir as possibilidades dessa linguagem inovadora.

Confira abaixo os filmes selecionados:

Um homem e sua casa (Kinoautomat), de Radúz Činčera
República Checa, 1967 – 55 min. aprox.
Livre

Um prédio é consumido pelas chamas. Acreditando ser o culpado pelo incêndio, Novak gostaria de reviver aquele dia e, com a ajuda do público, pode ser que ele consiga impedir o incêndio. É o primeiro filme interativo da história e foi exibido na Expo 67, em Montreal. Essa é a primeira exibição de Kinoautomat na América Latina.

Interatividade: A trama é interrompida diversas vezes e em cada uma delas são apresentadas duas opções. Como na exibição de 67, um ator interage com o público durante os intervalos.

Ressaca (Ressaca), de Bruno Vianna
Brasil, 2008 – 100 min. aprox.
14 anos

Ressaca traz a história de um rapaz que vive a puberdade no Brasil dos anos 1980, período em que o país também passava por um amadurecimento político e econômico. Sua família sofre as conseqüências dos repetidos planos econômicos, moedas e crises. Quando o pai do protagonista perde o emprego, o garoto é forçado a estudar em uma escola pública e a se adaptar a esse novo ambiente.

Interatividade: A exibição de Ressaca busca espelhar o quebra-cabeça social vivido nos anos 1980. Com uma grande tela tátil, Bruno Vianna manipula o filme ao vivo, variando a história a cada sessão.

Os 7 Suspeitos (Clue), de Jonathan Lynn
Inglaterra, 1985 – 96 min. aprox.
12 anos

Em uma noite chuvosa, seis pessoas se encontram em uma mansão. Elas não se conhecem, mas tem uma coisa em comum: estão sendo chantageadas pelo anfitrião, Mr. Boddy. Alguém apaga a luz e quando ela é acesa novamente, o chantagista está morto. O assassino foi o Coronel Mostarda com a chave-inglesa na biblioteca? O Professor Black com a corda na sala de jantar? Dona Violeta? Todos os convidados são suspeitos. E o mordomo também, claro. Baseado no jogo de tabuleiro “Detetive” (Clue), essa comédia inglesa conta com atores de peso como Lesley Ann Warren, Tim Curry e Christopher Lloyd. A Paramount promete o lançamento de um remake do filme para 2013.

Interatividade: De acordo com a escolha do público, um dos três finais possíveis será exibido. O resultado do voto da maioria será revelado no final.

Corre (Corre), de Cátia Cardoso
Portugal, 2011 – 30 min. aprox.
12 anos

Vinte minutos decidem o amor, a vida e a morte. Tiago é um jovem publicitário que partilha com Sofia, sua ex-namorada, a guarda de Diogo. Quando Sofia vai buscar o garoto na escola, ele não está lá. Antes que possam começar uma discussão, Diogo recebe o telefonema: “Se quiser ver seu filho novamente, você tem 20 minutos para arranjar 20 mil euros… ou o garoto morre. CORRE!”. O filme foi realizado enquanto a diretora cursava o mestrado na Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa. O protagonista da história, Nuno Pardal, ficou conhecido como “Lucas”, personagem de Chiquititas, novela infantil em que interpretava o simpático cozinheiro do orfanato.

Interatividade: Ao longo do filme, o espectador tem cinco ou seis momentos de decisão que levam a um ou mais dos 7 finais possíveis.

A Gruta (A Gruta), de Filipe Gontijo
Brasil, 2008 – 45 min. aprox.
14 anos

Um jovem casal decide passar o fim de semana na fazenda. Tudo corria bem até eles encontrarem um porco na gruta do local. O comportamento do casal muda. O mal seria de origem sobrenatural, como acredita o caseiro Tião, ou é a loucura humana o verdadeiro problema a ser enfrentado? Produzido em Brasília, o filme pode ser assistido no cinema, youtube e iphone. Agora, com o gibi interativo anexado a este catálogo, o público terá a oportunidade de conhecer a história do caseiro Tião.

Interatividade: O público pode “jogar” tanto com o rapaz quanto com a garota e ajudá-los a escapar dos perigos de A GRUTA, que possui mais de 30 momentos de interatividade e 11 finais.

De volta à casa da colina (Return to house on haunted hill), de Victor Garcia
EUA, 2007 – 90 min. aprox.
18 anos

Ariel questiona o suicídio de Sarah, sua irmã e única sobrevivente do massacre na Mansão Vanacutt. Ela começa uma busca mortal por respostas e, ao liderar um grupo de pessoas de volta à mansão, acaba despertando o mal eternamente aprisionado na casa da colina. O filme é a continuação do remake de A Casa dos Maus Espíritos (1959), de William Castle, diretor do filme Mr. Sardonicus, que também será exibido na mostra. No original de Castle, imperava o humor negro. Em De Volta à Casa da Colina, a ausência do humor é compensada com sangue, sangue, muito sangue e interatividade.

Interatividade: Durante a sessão, o público terá sete momentos de interatividade. Cada opção altera mais de uma cena do filme, que tem dois finais diferentes.

Maldita Escolha (Maldita Escolha), de Jomário Murta
Brasil, 2008 – 30 min. aprox
12 anos

Em um final de semana romântico Tião e Thaís resolvem conhecer a cidadezinha de Caetanópolis. Porém o rapaz desastrado bate o carro justamente em uma estradinha que se revela infestada de zumbis e seres bizarros! E agora? Que caminho seguir? Produzido com baixíssimo orçamento por alunos da Uni-BH, este divertido filme trash nos mostra como um casal pode escapar de zumbis usando a inteligência do público.

Interatividade: A trama possui 16 possibilidades narrativas e a cada instante o público decide como os personagens devem proceder.

A Máscara do horror (Mr. Sardonicus), de William Castle
EUA, 1961 – 89 min.
12 anos

O rico Barão Sardonicus esconde seu rosto horripilante atrás de uma máscara enquanto conduz experimentos bizarros para restaurar sua aparência. Decepcionado com o mau resultado das experiências, Sardonicus pretende forçar um médico, outrora apaixonado por sua jovem e torturada esposa, a reconstruir seu rosto. Insatisfeita com o final pessimista da história, a Columbia Pictures exigiu mudanças na conclusão do filme. A solução criada por Castle foi dar ao público a opção de escolher entre o final sugerido pelo estúdio e o final criado por ele. Esse é um dos melhores filmes do diretor, conhecido por suas estratégias para atrair o público, como campainhas sob as poltronas, esqueletos circulando pela sala, entre outros.

Interatividade: Cada espectador ganhará uma plaqueta de votação (réplica da usada em 1961) que será usada uma única vez e definirá o destino dos personagens.

Carinho e Cuidado (Tender Loving Care), de David Wheeler
Inglaterra, 1997 – 117 min.
16 anos

Os Overtons eram um casal feliz até o dia em que sua filha morre em um acidente automobilístico. Agora, Allison fantasia que sua filha ainda está viva e a enfermeira contratada pelo marido parece ter mais coisas em mente do que apenas curar a mulher. Com a segurança do anonimato, o público altera a sensual narrativa estrelada por Michael Esposito, John Hurt (O Homem Elefante, 1980) e a sexy Beth Tegarden (A Coisa, 1985).

Interatividade: As seqüencias do filme se desenvolvem de acordo com o resultado de testes psicológicos e de personalidade do público. Os espectadores votam respondendo a perguntas relacionadas à trama e seus personagens, mas também relacionadas a assuntos tabus.

Turbulência (Turbulence), de Nitzan Ben-Shaul
Israel, 2010 – 83 min. aprox.
12 anos

O filme traz a história de três amigos israelenses que se reúnem em Nova Iorque vinte anos após um evento crucial que levou à sua dispersão. Os três têm a chance de reavaliar o seu passado, e assim fazendo, eles também podem mudar seu futuro. Turbulence é interativo, mas o público pode optar por não intervir, escolher interagir apenas em momentos em que considere que sua participação irá aumentar a experiência dramática.

Interatividade: Ao longo da história alguns objetos brilharão, caso o espectador opte por interagir com eles, basta toca-los na tela de um tablet que será distribuído. Dessa maneira, novas cenas serão desencadeadas. Caso contrário, a trama segue. Tablets e smartphones com sistema Android serão passados de mão em mão durante a sessão para que todos possam interagir. Ao levar seu próprio aparelho o espectador pode interagir durante todo o filme.

O Labirinto (O Labirinto), de Bruno Jareta
Brasil, 2010 – 30 min. aprox.
12 anos

Seis pessoas são tiradas de sua rotina e acordam num gigantesco labirinto. Enquanto buscam a saída, elas se encontram e descobrem que cada uma terá que enfrentar seu próprio desafio. Por trás das paredes do labirinto existe muito mais do que se pode enxergar. Este filme foi realizado por alunos da UNESP em 2010 e planejado para ser lançado pela internet. Esse curta se destaca porque possui diferentes finais e tramas para cada personagem.

Interatividade: O público interage cinco ou seis vezes e guia os personagens até desvendar porque eles estão presos em um labirinto.

Caçada ao tesouro (Treasure hunt), de Chad, Matt & Rob
EUA, 2011 – 30 min. aprox.
Livre

O trio de aventureiros mais famoso do youtube se meteu em uma nova enrascada ao roubar um mapa do tesouro. Mafiosos e vilões do velho-oeste são alguns dos obstáculos, além do happy hour com a gata do escritório. Essa é a mais recente produção de Chad, Matt e Rob, os três amigos que começaram a fazer filmes interativos simples e engraçados para o youtube e hoje possuem estrutura e recursos para satisfazer seus milhares de espectadores.

Interatividade: de tempos em tempos o público decide entre duas opções. Caso faça a escolha errada, os personagens ganham mais uma chance.

Entrega para o inferno (Deliver me to hell), de Logan McMillan
Nova Zelândia, 2010 – 26 min. aprox
14 anos

Steve precisa entregar uma pizza, pedida por uma bela mocinha em apuros e ele fará isso, nem que precise passar por zumbis! Criado especialmente para o youtube, esse curta-metragem publicitário ultrapassou 4,5 milhões de views. Ao completar a aventura, os clientes da pizzaria neozelandesa participaram do sorteio de um ano de pizzas grátis.

Interatividade: A cada interatividade, o público decide entre duas opções. Caso faça a escolha errada, os personagens ganham mais uma chance.

Com ou sem camisinha (Condom, no condom), de Daren Finch
Inglaterra, 2010 – 20 min. aprox
16 anos

No caminho para uma festa onde encontrará a bela Jen, o protagonista passa em uma farmácia e decide se deve ou não comprar um preservativo. A escolha influenciará o resto da sua noite e, talvez, de sua vida. Em primeira pessoa (a câmera filma o que o personagem está vendo), essa publicidade do governo inglês causou polêmica e foi acusada de ser pornográfica.

Interatividade: A cada momento de interação, surgem duas opções sobre a tela. O público aprende sobre diferentes tipos de doenças sexualmente transmissíveis caso faça as escolhas erradas.

SESSÃO ESPECIAL:

Você é Vertov
Livre

O público do CCBB experimentará a primeira forma de interatividade da história do cinema: A interatividade através da música. Na época dos filmes mudos a trilha sonora era executada durante a sessão de cinema. Que tal participar musicalmente de uma sessão como essa? O filme a ter a trilha composta durante a exibição será UM HOMEM COM UMA CÂMERA, de Dziga Vertov (URSS, 1929). Um clássico com edição ritmada, estilo videoclipe.

Mais informações sobre os filmes, os horários de exibição e outras informações estão disponíveis no site do evento.