(The Girl with the Dragon Tattoo, EUA/SWE/GBR/ALE, 2011)

Suspense
Direção: David Fincher
Elenco: Daniel Craig, Rooney Mara, Christopher Plummer, Stellan Skarsgård, Steven Berkoff, Robin Wright, Yorick van Wageningen, Joely Richardson, Geraldine James
Roteiro: Stieg Larsson (romance), Steven Zaillian
Duração: 156 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

É inevitável começar a escrever sobre Millennium – Os Homens Que Não Amavam As Mulheres sem falar de Lisbeth Salander e sem fazer comparações, afinal há o livro e outra adaptação cinematográfica sueca quase de mesmo nome, dirigida por Niels Arden Oplev, que o antecedem. O ponto em comum são as locações – a Suécia continua sendo o palco do filme -, muitos diálogos e a caracterização bem parecidas dos personagens. Ambas as interpretações de Lisbeth, a primeira por Noomi Rapace e a de agora, por Rooney Mara, são excelentes.

Os pontos começam a mudar quando falamos da direção de David Fincher, que dirigiu também Seven – Os sete crimes capitais, Alien 3 e o Clube da Luta. Ele é o responsável por dar um tom mais sombrio, doído e mórbido do que o da versão sueca. E também, juntamente com o roteirista Steven Zaillian, por aquele conhecido tom estadunidense a trama: o filme é mais rápido e mais “digerido”, perdendo pontos ao esclarecer a trama mais do que o necessário e tirando do espectador a chance de fazer descobertas por si próprio.

Outra coisa a ser notada é a qualidade técnica do filme em praticamente todos os aspectos. A trilha sonora criada por Trent Reznor e Atticus Ross é muito eficiente, além de maravilhosa. A edição de som é uma das melhores dos últimos anos e consegue guiar o filme por diferentes estados emocionais – do terror à calmaria – de uma forma quase perfeita. A bela abertura do filme, que pode lembrar um videoclipe ou mesmo a abertura de um dos filmes do espião 007, já explicita o tom pesado que a seguirá.

Esse remake segue um jornalista arruinado, Mikael Blomkvist, enquanto investiga o desaparecimento da neta do rico patriarca de uma problemática família, acontecido há 40 anos. Ele é auxiliado por Lisbeth Salander, uma investigadora pouco amigável, nada convencional, cheia de piercings e tatuagens e com muita habilidade para hackear computadores. Ao longo das investigações , Blomkvist e Salander descobrem fatos aterradores e uma verdade mais chocante e doentia do que eles jamais imaginaram ver.

O elenco do filme é muito acertado. A garota com a tatuagem de dragão de Mara é um pouco menos feroz e mais vulnerável do que a versão de Rapace, que esteve notável no papel da garota punk, bissexual e hacker que luta contra regras que deveriam protegê-la. Independente das comparações e de sua aparência frágil, que chegou a desacreditá-la para o papel no anúncio da escolha, é inegável o fato de que Rooney Mara está sensacional no papel. A garota merece mesmo as várias menções honrosas que vem recebendo.

O Mikael Blomkvist de Daniel Craig começa o filme um pouco influenciado pelo seu ar de James Bond (ainda mais com abertura) mas depois ganha corpo e segue muito bem no papel do jornalista-galã-investigador que tenta desvendar um crime acontecido há 40 anos.

O elenco secundário segura as pontas com interpretações profissionais e convicentes. Note-se o guardião de Lisbeth, Nils Bjurman (Yorick van Wageningen); a amante de Mikael, Erika Berger (Robin Wright); o detetive Morell (Donald Sumpter); o velho perseguido pelo passado, Henrik Vanger (Christopher Plummer), e seu sobrinho Martin Vanger (Stellan Skarsgård).

Falta ao filme o ar político, que é a motivação do livro e serve para demonstrar que a Suécia está longe de ser o paraíso que parece. A corrupção, a violência sexual e os homens que não amam as mulheres são retratados de forma muito superficial e parecem não validar todo o ódio existente dentro de Lisbeth Salander. E é justamente aí que está a essência da personagem.

Coisas a saber sobre filme: o final foi alterado – levemente – talvez para manter um pouco da curiosidade daqueles que já viram o filme sueco e também já leram o livro, mas não chega a atrapalhar (talvez só cause um pouco de desconforto nos fãs da versão sueca). Prepare-se para receber toneladas de informação, muitas pesquisas, ver as incríveis (às vezes, pouco críveis) habilidades de hacker de Lisbeth e pouca profundidade num mistério que parece ser solucionado fácil de demais.

No resultado final é um bom filme, sendo um pouco superior a versão sueca, mais pelos aspectos técnicos do que pela narrativa. Mas é uma obra que vale ser vista, mesmo com os 158 minutos de projeção e com tanta brutalidade acontecendo.

Um Grande Momento

Lisbeth narrando os crimes.

Logo-Oscar1Oscar 2012
Melhor Montagem (Angus Wall, Kirk Baxter)

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