(Mia Madre, ITA/FRA, 2015)

Gênero
Direção: Nanni Moretti
Elenco: Margherita Buy, John Turturro, Giulia Lazzarini, Nanni Moretti, Beatrice Mancini, Stefano Abbati, Enrico Ianniello
Roteiro: Nanni Moretti, Francesco Piccolo, Valia Santella
Duração: 106 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

O diretor Nanni Moretti sabe como transpor para as telas sentimentos familiares de uma maneira muito interessante. Se com o arrebatador O Quarto do Filho tornou-se conhecido pelo mundo ao explorar a dor da perda de um filho, agora com o também tocante Mia Madre fala sobre a perda da referência, com o cumprimento do ciclo natural da vida, quando mães partem antes de seus filhos.

Inferior ao título anterior e um pouco perdido nas muitas camadas que busca explorar, o longa-metragem é curioso ao estabelecer sua personagem principal, Margheritta, como uma diretora de cinema em crise. O tom autobiográfico fica claro por esta associação e, principalmente, pelo diretor ter perdido a mãe recentemente, enquanto filmava Habemus Papam.

Contando a história através de situações cotidianas de Margheritta, Moretti expõe o dia-a-dia no set de filmagens, a cobrança escolar da filha adolescente e as visitas ao hospital onde a mãe está internada. À realidade, insere devaneios saudosos e boas sequências oníricas baseadas nos sonhos da protagonista. A interferência daquela perda iminente em todos os momentos e sentimentos é exposta de maneira tocante e melancólica.

Para fortalecer a história contada, nada como a excelente atuação de Margherita Buy, que consegue transmitir toda a dor, o medo e a tensão de sua personagem. Como se ela fosse uma bomba relógio prestes a explodir a qualquer momento, é impossível não se colocar em seu lugar e sentir um pouco de tudo aquilo que ela sente.

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O tom melancólico do filme é aliviado pela presença em cena de John Turturro, que dá vida a uma estrela de Hollywood que veio para trabalhar no longa-metragem dirigido por Margheritta. Parte da crítica ao cinema que Moretti faz questão de inserir em seu filme, o alívio cômico funciona bem, mas, de certo modo, esvazia a narrativa, tirando a potência da trama principal.

Como uma espécie de 8 12 muito próprio, Mia Madre mescla dois temas muito poderosos e abrangentes, fazendo com que um sempre fique menos destacado do que o outro. A diferença de imersão produz um resultado menos impactante, mas que ainda consegue comover.

Outro problema está em uma mania antiga do diretor, a de estar também diante das câmeras. Seu Giovanni é um personagem pouco significativo e importante, que mais parece estar presente para acariciar o ego do diretor. A presença em cenas conjuntas é bastante desfavorecida na comparação com as potentes atuações de Margherita Buy e de Giulia Lazzarini, como a mãe. Já a cena em que ele aparece sozinho não faz nenhuma diferença ao filme.

Mesmo que tenha seus problemas, Mia Madre é um filme interessante, que, além de fazer uma crítica válida ao cinema de hoje em dia, fala de maneira muito tocante do significado e da devastação da perda daquela pessoa que, além de porto seguro, definiu tantos caminhos e posicionamentos na jornada de cada um.

Um Grande Momento:
A fila de cinema.

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