(Menos que Nada, BRA, 2012)

Drama
Direção: Carlos Gerbase
Elenco: Felipe Kannenberg, Maria Manoella, Rosanne Mulholland, Carla Cassapo, Débora Finocchiaro, Branca Messina, Felipe Mônaco, Roberto Oliveira, Artur José Pinto, Elisa Volpatto
Roteiro: Arthur Schnitzler (conto), Carlos Gerbase,
Duração: 105 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Dante e Berenice são amigos… são crianças e desfrutam da amizade genuína que esta condição possibilita. Porém, não é com esses mesmos olhos que a mãe do menino enxerga a relação, a mulher, cheia de religiosidade, proíbe que o filho continue brincando com a menina.

Pulando alguns acontecimentos do filme, Dante e Berenice se reencontram 24 anos depois, Berenice é uma empresária e está no meio de uma construção quando se depara com o que podem ser alguns fósseis. Coincidentemente vê em uma reportagem na televisão o antigo amigo, agora arqueólogo e decide procurá-lo. Assim, os dois ficam novamente frente a frente, mas não poderão reaver a amizade proibida ou qualquer outra coisa que o destino os tenha reservado.

Há que se deixar claro que o longa Menos que Nada, de Carlos Gerbase, não quer contar a história de um possível reencontro ou reajuste entre duas pessoas. Pois a realidade desses personagens agora é outra: Berenice está casada com Ciro, um homem rude e violento que tenta e de fato controla todos os passos de sua esposa, e Dante está há mais de 10 anos internado em um manicômio, isolado e esquecido por todos, dado como um caso perdido até que Paula uma psiquiatra novata no hospital se interessa pelo caso e passa a investigar toda a sua história. Através dessas investigações vamos descobrindo as causas da loucura de Dante, que tiveram início no reencontro com Berenice.

Gerbase também assina o roteiro de Menos que Nada, inspirado no conto do escritor austríaco Arhur Schnitzler “O Diário de Redegonda”. O filme faz parte de um conjunto de reflexões do diretor sobre a imaginação humana, junto com Tolerância, Sal de Prata e 3Efes, que também navegam pelo tema da psique humana, devaneios e o embate entre a ficção e a realidade. Sem ser panfletário ou documental, o longa aborda também o tema da saúde pública e mostra a falência do sistema manicomial do país

Em sua grande parte desconhecido do grande público, o elenco se comporta como uma perfeita equipe, num estado uníssono, uma uniformidade de expressões e atuações. Por mais diferentes que sejam os personagens, ninguém sobrepõe-se a ninguém, o que na narrativa colabora para enfatizar o tom de suspense e o constante jogo de interesses que se desenrola nas entrelinhas de cada diálogo.

Lançado simultaneamente nos cinemas, internet e DVD, Menos que Nada surge como um exercício cinematográfico ou uma provocação narrativa, méritos para Carlos Gerbase, que segue construindo sua cinematografia baseada num trabalho contínuo de propósitos culturais e sociais.

O filme pode ser assistido gratuitamente pelo Sunday TV.

Um Grande Momento

Dante em um de seus momentos de transe.

Menos que Nada

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