(Meninas de Ouro, BRA, 2016)
Documentário
Direção: Pedro Jorge
Roteiro: Pedro Jorge
Duração: 79 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

O handebol é um esporte apaixonante. Quem já praticou a modalidade ou acompanhou os jogos sabe como ela consegue envolver e empolgar tanto pela rapidez com que se define, como pelas táticas de jogo, pelas jogadas elaboradas, pelas defesas inesperadas e pelo envolvimento da equipe.

Como aqui é o Brasil, e se vive sob a eterna e injusta sombra do futebol, muito pouca atenção é dada ao esporte, principalmente pela grande mídia. O que deixa, para o grande público, o handebol como mais um dos muitos esportes sem grandes pretensões praticados nas escolas. Mesmo que hoje a nossa seleção feminina tenha um título de campeã mundial, pouca gente sabe disso.

O documentário Meninas de Ouro, dirigido por Pedro Jorge, faz uma justa homenagem às atletas que vêm, há muitos anos, dedicando suas vidas ao handebol e à seleção brasileira. Unindo gerações diferentes, o longa-metragem traz à tela uma história de muito sofrimento e superação até chegar à sonhada medalha de ouro mundial.

Os contratempos dos primeiros anos, quando atletas não tinham nem uniforme para treinar e muitas vezes precisavam entrar em quadra com as camisas ainda molhadas, ou quando a Confederação Brasileira de Handebol teve que assumir que precisava da experiência estrangeira para conseguir tornar-se competitivo estão presentes na primeira parte do filme.

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A ascensão do handebol feminino vai sendo construída aos poucos pelo documentário, com várias imagens de jogos e depoimentos sobre a importante influência da experiência das jogadoras que foram jogar do Brasil e da chegada de Juan Oliver para comandar a seleção. Sem desmerecer todo o trabalho realizado antes, sob comando de Digenal Cerqueira, com a primeira vez que a equipe, campeã em Winnipeg, garantiu sua vaga nas Olimpíadas.

O filme acompanha a chegada do técnico dinamarquês Morten Solback à seleção, posto que ocupa até os dias de hoje, em depoimentos da nova geração de jogadoras e da equipe técnica. As quedas do time às quartas-de-final tanto do Mundial no Brasil, em jogo contra a Espanha, e das Olimpíadas de Londres, contra a Noruega, levam o documentário para um outro lado do esporte, aquele que fala dos contratempos, das dores e das perdas.

Entre as entrevistas, o filme inclui uma interessante participação do jornalista especializado Juca Kfouri. Segundo ele, um machismo velado surpreendeu aqueles que acompanham esporte, pois a expectativa sempre foi a de que a seleção masculina chegasse ao topo primeiro.

Meninas de Ouro relembra momentos de glória como a eleição de Alê como melhor jogadora do mundo, mas traz também os vários problemas que vieram antes do mundial de 2013, de lesões comuns do esporte de várias atletas, o AVC sofrido por Dani Piedade e o corte na mão da goleira Mayssa, até o falecimento da mãe da goleira Babi. Os eventos trazem o lado negativo do esporte e, ao mesmo tempo, a força que faz com que cada uma daquelas jogadoras se supere para alcançar seus objetivos.

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Sabiamente, Pedro Jorge traz à tela as preleções de Morten e emocionantes momentos dos jogos do mundial, incluindo a tensa final contra a Sérvia, que chegou a ficar empatada poucos minutos antes do final da partida. Como todo filme que trata de esportes, não era algo que poderia faltar mesmo e cumpre exatamente o seu principal objetivo: emocionar quem o acompanha.

Produzido pela Saravá Filme em coprodução com Canal Azul e ESPN, Meninas de Ouro é experiência interessante para aproximar o público que ainda não está habituado com o handebol e para agradar àqueles que já são apaixonados pelo esporte. Às portas das Olimpíadas do Rio, nada melhor do que isso.

Um Grande Momento:
A final com a Sérvia.

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