O Ibertson, do blog Cinema para todos!!!!!, me mandou um meme super legal. Tenho que escolher cinco dos filmes que considero subestimados, seja por uma posição da crítica, por falta de divulgação, ou, até mesmo, pela má fama de alguém envolvido na produção.

Para falar a verdade, cinco é muito pouco. Pensei em vários filmes que deveriam ser assistidos mas terminam mofando em uma prateleira sem a devida atenção do público.

Depois de muito analisar, acabei fazendo a minha lista:

Soberba
(The Magnificent Ambersons, EUA, 1942)
Direção: Orson Welles, Fred Fleck, Robert Wise. Roteiro: Booth Tarkington (romance), Orson Welles, Jack Moss, Joseph Cotten. Com: Joseph Cotten, Dolores Costello, Anne Baxter
A saga de uma família, desde quando eram os mais importantes moradores de uma pequena cidade, em 1870, até a sua decadência, com as mudanças trazidas pelo século XX. A dificuldade de lidar com o novo cenário e com a nova posição social são tratados com maestria por Orson Welles em sua adaptação do romance de Booth Tarkington.
Além do roteiro, o filme traz várias outras técnicas de um diretor que não tinha medo de inovar.
É tão bom, que Soberba foi escolhido por vários críticos do mundo como um dos dez melhores filmes da história.
Apesar disso e sem explicação, no Brasil ele é pouco conhecido e não ocupa um lugar de destaque. Talvez porque quando se fala de Orson Welles, lembra-se logo de Cidadão Kane, que também é uma obra-prima.
Merece ser visto.

Mais e Melhores Blues
(Mo’ Better Blues, EUA, 1990)
Direção: Spike Lee. Roteiro: Spike Lee. Com: Denzel Washington, Spike Lee, Wesley Snipes, Giancarlo Esposito, John Turturro, Samuel L. Jackson

A história de Bleek Gilliam, um homem que não teve infância por ser obrigado a dedicar todo o seu tempo ao estudo do trompete e realizar assim o sonho dos pais de ter um filho músico profissional. Ele consegue entrar em uma banda e começa a viver de música, mas tem problemas com o saxofonista Shadow Henderson e com o seu empresário e amigo, Giant, que por causa do vício no jogo causa transtorno na vida de todos.
Para mim, é o melhor filme de Spike Lee. O trabalho com as cores é simplismente fantástico e o ritmo do filme parece seguir o do blues. Muito interessante mesmo, mas pouco divulgado e, por isso, pouco conhecido.


Kung Fu Contra as Bonecas
(Kung Fu Contra as Bonecas, BRA, 1975)
Direção: Adriano Stuart. Roteiro: Rajá de Aragão, Walter Negrão. Com: Dionísio Azevedo, Maurício do Valle, Nadir Fernandes, Luely Figueiró, Edgar Franco

O filho de um chinês com uma pernambucana segue pelo sertão ao lado de uma capoeirista, sua fiel escudeira, atrás do bando de cangaceiros responsável pela morte de sua família e de seu porquinho. Para combater o bando ele usará as técnicas de kung fu aprendidas de seu mestre.
O filme é uma grande gozação do começo até o fim. O roteiro é daqueles feitos para você rir sem parar e a produção, bem tosca, faz do filme um dos maiores representantes do cinema boca do lixo, movimento criado no Brasil e que produzia pérolas trash, parodiando e usando muito humor-negro.
Infelizmente, é um filme raro e, assim, são poucos os que tiveram o privilégio de assistí-lo.

Stardust – O Mistério da Estrela
(Stardust, GBR/EUA, 2007)
Direção: Matthew Vaughn. Roteiro: Neil Gaiman, Jane Goldman, Matthew Vaughn. Com: Charlie Cox, Claire Danes, Michelle Pfeiffer, Robert De Niro

Uma estrela cadente cai na Terra e se transforma em uma linda mulher. O primeiro a encontrá-la é Tristan, que prometeu à jovem Victória que traria a estrela cadente que viram cair para ela. Só que muitos querem a estrela, como a bruxa Lamia, que quer o coração da jovem para ficar bela e jovem pra sempre. Os filhos do falecido rei também disputam seu coração para, assim, conquistar a vaga deixada pelo pai.
Muita aventura e personagens diferentes fazem deste um filme especial. O roteiro de Neil Gaiman, o mesmo das histórias em quadrinho Sandman, é muito bom e cheio de surpresas. O visual do filme também é muito bem cuidado e Pfeiffer e De Niro estão ótimos.
Talvez porque tenha sido lançado no meio de vários outros títulos de fantasia, Stardust não fez o sucesso que merecia fazer e ficou pouco tempo em cartaz.

Como Nascem os Anjos
(Como Nascem os Anjos, BRA, 1996)
Direção: Murilo Salles. Roteiro: Jorge Durán, Murilo Salles, Nelson Nadotti, Aguinaldo Silva. Com: Priscilla Assum, Silvio Guindane, Larry Pine, Ryan Massey, Maria Adélia

Maguila mata o chefe do tráfico do morro Dona Marta, no Rio de Janeiro e, perseguido por soldados do tráfico, é obrigado a fugir da favela. Branquinha, uma menina de 13 anos que, apesar da diferença de idade, diz ser sua mulher, e o melhor amigo dela, Japa, fogem junto com ele. No meio da fuga, eles acabam seqüestrando uma família americana. Mesmo sem ser perigosos, eles acabam atraindo para si todos os olhos da sociedade.
Com um roteiro maravilhoso e muito sensível, Murilo Salles traz à t
ona o problema da diferença social, da violência urbana e do fim da infância, quando crianças não têm mais nem o direito de brincar. A fotografia de César Charlone é incrível e os atores mirins estão ótimo.
Apesar dos vários prêmios recebidos na época do lançamento, acabou sendo esquecido para trás e hoje quase não se fala mais dele.

Foram estes os meus escolhidos, apesar de sobrarem outros que pensei antes e os que fui me lembrando enquanto escrevia. Para continuar com o intuito do meme, vou indicá-lo à minha irmã gêmea de nome Aline e o seu Cenas de Cinema; ao Jacques, do e-MotionMovies; e à Kamila, do Cinéfila por Natureza.