(Medianeras, ARG/ALE/ESP, 2011)

Drama
Direção: Gustavo Taretto
Elenco: Javier Drolas, Pilar López de Ayala, Inés Efron, Adrián Navarro, Rafael Ferro, Carla Peterson, Jorge Lanata, Alan Pauls, Romina Paula
Roteiro: Gustavo Taretto
Duração: 95 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

Estamos em Buenos Aires, mas poderia ser qualquer grande metrópole. É possível observar a disparidade entre as construções e as consequências do crescimento desordenado. Pequenos espaços comportam cada vez mais gente solitária. Cada um, a sua maneira, vive as fobias que vieram com a modernidade.

Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Digital traz reflexões sobre os efeitos do mundo contemporâneo em nossas vidas. O sociólogo Zygmunt Bauman estuda em “Amor Líquido”, uma das suas obras mais famosas, os relacionamentos em redes, a fragilidade dos vínculos e a dificuldade de se manter laços por longo prazo. No filme do diretor e roteirista Gustavo Taretto, estes eventos estão presentes e são tratados com bom humor, o que acaba concedendo leveza à obra, mas a preferência por uma história leve não quer dizer que o diretor não aprofunde os temas principais da produção.

Somos conectados à melancolia de Martin e Mariana logo no inicio da história, quando eles apresentam suas visões da cidade, como se estivessem falando das suas próprias vidas. Eles são vizinhos, mas não se conhecem.

Martin é um web designer que mora sozinho em um minúsculo apartamento. Criou uma rotina em que ele praticamente não sai de casa. Pela internet, consegue tudo o que precisa: trabalho, comida e comunicação. Mas, por recomendação médica, para ajudar na recuperação de um quadro depressivo, caminha pelas ruas de Buenos Aires carregando uma mochila com uma espécie de kit de sobrevivência, incluindo a câmera fotográfica com a qual ele enxerga a cidade de outros ângulos.

Mariana trabalha como vitrinista. Saiu recentemente de um relacionamento, está se readaptando a viver sozinha e aplaca a solidão conversando com o manequim que possui em casa.

Nos identificamos com os medos, a solidão e o sentimento de estar perdidos em meio à multidão. Cada relato das frustrações amorosas vividas por Martin e Mariana faz com que cresça o desejo de que se cruzem em uma das ruas da cidade. O roteiro é dinâmico e o filme intercala momentos da vida de um e outro personagem, colocando lado a lado as afinidades entre eles, o que só reforça a nossa torcida pelo final feliz.

Uma das coisas mais interessantes em Medianeras é o jogo de comparações que acontece em todo o filme. Algumas das metáforas são sutis, como quando uma conversa via chat é interrompida devido à falha elétrica antes dos participantes trocarem seus contatos, numa alusão à vulnerabilidade das atuais relações pessoais. Outras metáforas são mais explícitas, como quando Mariana compara uma vitrine a um lugar perdido, um local onde você não está nem dentro, nem fora, é um anônimo, mas que, no final das contas, está exposto e que ser visto.

É fácil gostar da trama e se envolver com os carismáticos personagens. Apesar da melancolia dos personagens, a mensagem do filme é positiva. Com atuações cativantes de Javier Drolas e Pilar López de Ayala, Medianeras é um filme encantador, daqueles que dá vontade de rever inúmeras vezes.

Um Grande Momento:
Onde está Wally?

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