(Martyrs, EUA, 2015)

Horror
Direção: Kevin Goetz, Michael Goetz
Elenco: Troian Bellisario, Bailey Noble, Kate Burton, Caitlin Carmichael, Melissa Tracy, Romy Rosemont, Toby Huss, Elyse Cole, Ever Prishkulnik, Blake Robbins, Taylor John Smith, Lexi DiBenedetto
Roteiro: Pascal Laugier (personagens), Mark L. Smith
Duração: 86 min.
Nota: 2 ★★☆☆☆☆☆☆☆☆

Mártir: pessoa submetida a suplícios, ou mesmo à morte, pela recusa de renunciar à fé cristã ou a qualquer de seus princípios. Saber a definição é fundamental para analisar Martyrs, versão dirigida pelos irmãos Kevin e Michael Goetz para o filme francês Mártires, de 2008.

Embora o substantivo também possa ser utilizado como uma hipérbole para pessoa que sacrifica a própria vida ou algo de muito valor para levar a cabo algum trabalho ou experiência, definição favorita do filme estadunidense, a versão original volta-se para a definição literal e, ao abordar questões mais íntimas – onde o extremismo religioso ainda faz suas vítimas -, tem sua maior força.

Indo além da mensagem trazida pelo filme, aqui praticamente inexistente, Martyrs consegue juntar em um único filme todos os problemas de refilmagens e adaptações.

O começo se dedica aos erros de uma má refilmagens. Há repetições de cenas e diálogos, excesso de explicações e muito tempo perdido. Um bom exemplo disso é que gasta boa parte de seu tempo criando a relação entre Anna e Lucy, suas protagonistas, coisa que é estabelecida apenas nos créditos iniciais do filme do diretor francês Pascal Laugier.

Martyrs_interno

Depois que resolve inovar no roteiro, se entrega à má versão, afastando-se por completo da razoabilidade, carregando na construção dos personagens, apelando para facilitações emotivas, e se entregando a um torture porn ainda mais sem sentindo do que seus parceiros de gênero.

Para completar, o filme deixa de lado as boas ideias técnicas de sua inspiração, como alguns movimentos de câmeras e jogos de luz, e tenta imprimir uma despersonalização de parte dos vilões, o que não funciona em momento nenhum.

O roteiro, assinado por Mark L. Smith também é extremamente problemático. A dubiedade na explicação de fatos, o surgimento de personagens aleatórios, e a falta de cuidado na constituição de uma de suas protagonistas, que, do nada, transforma-se, são difíceis de serem ignorados. Isso sem falar na pavorosa solução final, com a revelação.

No final das contas, Martyrs pode se distanciar da definição literal de seu título, mas não deixa de ser um martírio para quem o assiste.

Um Grande Momento:
Esfolamento.

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