(Mar Negro, BRA, 2013)

Terror
Direção: Rodrigo Aragão
Elenco: Mayra Alarcón, Carol Aragão, Kika de Oliveira, Walderrama Dos Santos, Tiago Ferri, Gurcius Gewdner, Mariana Zani, Ernesto Valverde
Roteiro: Rodrigo Aragão
Duração: 105 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Menos considerado do que deveria, o cinema de gênero não tem uma visibilidade muito grande no mercado brasileiro. Dentre todas as categorias de filmes, o terror talvez seja o que mais sofre com esse descaso. Com dificuldades enormes de distribuição e mesmo sem o retorno que mereciam ter, os realizadores de cinema de terror no Brasil continuam tentando. Entre eles está Rodrigo Aragão que encerra sua trilogia zumbi com o frenético Mar Negro.

O filme se aproveita da aura fantasiosa das histórias de pescador para iniciar sua história da infestação zumbi. No meio de uma noite de poucos peixes, a rede traz uma estranha criatura, que acaba ferindo o dono do barco e o transforma em morto-vivo. Quem ingerir os pescados do lugar terá o mesmo futuro pela frente.

Com um bom timing cômico, um sábio aproveitamento daquilo que é tosco e sustos de qualidade, o terrir criado por Aragão não fica devendo a tantos outros títulos internacionais lançados por aí. Com um diferencial importante que é a capacidade criativa do diretor na construção visual de seus monstros e criaturas. Não tem falta de dinheiro que faça seus zumbis (humanos ou não) ficarem menos interessantes.

Mais ousado do que os outros títulos e com um significativo aumento na quantidade de litros de sangue espalhados pelo set de filmagem, Maré Negra tem uma trama um pouco mais complexa e desenvolve bem seus personagens, além de apostar em várias reviravoltas e referências comuns ao gênero cinematográfico.

Embora acerte mais do que erra, é nessa profusão de situações e personagens que a coisa se complica e, o filme precisa enfrentar um certo cansaço. Um trabalho mais apurado na direção de fotografia também faz falta. Mas nada que comprometa a diversão durante a sessão. Um desses inesperados elementos e sua metralhadora, por exemplo, são um dos pontos altos do filme e se tornam uma referência instantânea.

Contando com um orçamento limitado e com a participação de vários amigos, Rodrigo Aragão encerra com mérito a Trilogia Sangrenta, iniciada com Mangue Negro e A Noite dos Chupacabras. Em Mar Negro ele consegue mostrar que sempre pode se superar e chegar ainda mais longe.

Que o filme tenha o reconhecimento que merece e que o talento de Aragão seja conhecido não só por aqueles que curtem o cinema de terror, mas também por quem tem dinheiro para bancar as grandes produções. Esse cara com mais dinheiro vai dar muito mais o que falar.

Um Grande Momento:
Metralhadora.

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