(Mangue Negro, BRA, 2008)

É fato que muita gente já fez filmes de zumbi por aí, mas os títulos no Brasil não são só escassos, são praticamente inexistentes. As únicas exceções são o curta Capital dos Mortos, o longa-metragem Mangue Negro e o ainda não lançado Porto dos Mortos.

A explicação para o número reduzido de títulos é fácil. Se, de maneira geral, o investimento financeiro em cinema nacional é limitado e indisponível, imagine quando se trata de um gênero que costuma não receber incentivos em nenhum lugar do mundo.

Uma das qualidades de Mangue Negro vem junto com esta constatação. A coragem de Rodrigo Aragão ao levar adiante um projeto desses sem dinheiro e sem apoio é de chamar a atenção e deixa todo o resultado mais interessante.

O argumento é muito original e não segue aquela bobagem de zumbis que se apóiam nas mesmas e repetitivas justificativas. Pelo contrário, traz à tona a degradação ambiental e em nenhum momento soa doutrinador, como outros ecofilmes, e nem gratuito.

Depois da exploração desmedida de um manguezal, a pequena comunidade residente do local tem que fugir de estranhas criaturas que surgem da lama para acabar com a humanidade.

O explorador, o pai autoritário, a mãe doente, o mocinho, a preta velha e aquele pescador que conhece todas as lendas do local se misturam a outras personagens não menos interessantes para tornar a história ainda mais interessante.

Rodrigo Aragão assina o roteiro, a direção, a direção de fotografia e a maquiagem do filme e, além de contar com locações emprestadas, conta com a participação de amigos, colaboradores e moradores da aldeia de Perocão, em Guarapari.

O resultado final lembra os primeiros filmes dos diretores Peter Jackson e Sam Reimi e consegue conquistar os espectadores completamente. Muito, também, pelo roteiro que mantém uma tensão sempre crescente e sabe como misturar o suspense, o terror e a comédia.

O mangue é um lugar perfeito para o desenvolvimento da trama e para o surgimento das criaturas fantásticas criadas por Aragão, sem falar que combina perfeitamente com a trilha sonora. Os zumbis, sejam eles maquiagem ou bonecos, são muito bem feitos e impressionam. As sequências sanguinolentas também são ótimas e não ficam devendo nada a títulos gore de outros países.

Os atores também estão muito bem, com destaque para Walderrama dos Santos, como o tímido e contido Luís da Machadinha, e André Lobo, como a velha Benedita, que, mesmo com suas falas simples, arranca gargalhadas até dos mais sérios.

Claro que o filme tem alguns defeitos e sofre com a falta de verba. Se a maquiagem das criaturas é fantástica, a das personagens idosas não fica muito bem. Alguns planos também não são muito bons e algumas sequências poderiam ser mais curtas do que são.

Todos esses momentos juntos, porém, não chegam a apagar o brilhantismo de Mangue Negro, um título que assume seu lado trash e traz de volta às telas uma boa história de zumbis. O filme convence e causa admiração em todos os fãs do gênero, além de deixar todos os brasileiros orgulhosos.

Daqueles que já nascem clássicos. Imperdível!

Um Grande Momento

“Raquel, eu quero te falar uma coisa…”

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Terror
Direção: Rodrigo Aragão
Elenco: Walderrama dos Santos, Kika de Oliveira, Ricardo Araújo, Markus Konká, Antônio Lâmego, André Lobo, Maurício Ribeiro, Reginaldo Secundo, Julio Tigre
Roteiro: Rodrigo Aragão
Duração: 105 min.
Minha nota: 7/10