(Maleficent, EUA, 2014)

Fantasia
Direção: Robert Stromberg
Elenco: Angelina Jolie, Elle Fanning, Sharlto Copley, Lesley Manville, Imelda Staunton, Juno Temple, Sam Riley, Brenton Thwaites, Kenneth Cranham
Roteiro: Charles Perrault (conto), Jacob Grimm e Wilhelm Grimm (conto) Erdman Penner, Joe Rinaldi, Winston Hibler, Bill Peet, Ted Sears, Ralph Wright e Milt Banta (animação), Linda Woolverton
Duração: 97 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

Genial a ideia da Disney de explorar, agora em live action, um de seus personagens mais aterrorizadores. Malévola, a bruxa gratuitamente má de A Bela Adormecida deixa, a partir de então, de ser vista como sempre foi. Essa nova imagem é uma subversão de algo consolidado dentro de nós desde a infância.

Para viver a bruxa, um ícone do cinema atual: Angelina Jolie (Salt), que se entregou de corpo e alma à personagem. De certo modo, só sua presença já muda, de alguma maneira, o vínculo que tínhamos com aquela personagem do desenho animado. Como se o fato de ver alguém tão conhecido, já faça olhar com menos receio.

A grande jogada da Disney foi justamente contar a história de uma fada gente boa que, de repente, entrega o coração à mágoa e à raiva. Ao esclarecer os motivos, o que se vê na tela faz todo o sentido. De um momento para o outro, estamos sentindo alguma afeição por aquela que, no passado, só nos aterrorizou. Essa mudança de sentimento é simplesmente sensacional.

Assim como as atuações. Angelina Jolie está muito bem acompanhada de Ella Fanning (Ginger & Rosa), como a princesa Aurora; o trio de fada madrinhas, vivido por Imelda Stauton (Pride), Juno Temple (Lovelace) e Lesley Manville (Um Ano Mais); Sam RIley (Control), como seu fiel escudeiro; e, principalmente, Sharlto Copely (Distrito 9) como príncipe Phillip, o pai de Aurora e a decepção de Malévola. Juntos, eles conseguem criar um conforto e uma certa veracidade ao espectador, mesmo que a história guarde poucos vínculos com o universo real.

A estética do filme também é fundamental para o resultado final. A sensação de estar revendo algo visto muitas vezes, por muito tempo é incrível, como se estivéssemos novamente em um lugar que conhecemos muito bem. O trabalho de espelhamento/construção deste universo mágico, com uma competente direção de arte e trabalhos impressionantes de figurino e maquiagem, contribui tanto para a aura fantástica do longa-metragem, como para o envolvimento do espectador. A trilha sonora, assinada por James Newton Howard (Conduta de Risco) também é fundamental.

Acertando na direção de atores e sabendo juntar todas as qualidades do filme, o diretor estreante Robert Stromberg, depois de muitos anos dedicados a efeitos especiais, também acerta no ritmo e na distribuição de sua história, pontuando momentos emotivos e sem deixar que a trama se exceda nas cenas de luta. Mas, além da técnica, a aposta do diretor e do estúdio só é bem sucedida porque ambos sabem que sua história precisa apoiar-se na familiaridade do público, coisa muito bem utilizada durante todo o filme. São esta familiaridade, e o consequente envolvimento, que fazem o filme funcionar tão bem.

Assim como a mensagem final, tão atual e necessária. Uma mensagem feminista, em um universo por tanto tempo dominado por esteriótipos e crenças machistas, também agrada e, de certo modo, também subverte a imagem definida pela própria Disney enquanto estúdio.

São muitas mudanças de paradigmas para um filme só. E cada uma delas vale a pena.

Um Grande Momento:
O amor verdadeiro.

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