(He Named Me Malala, ARE/EUA, 2015)

Documentário
Direção: Davis Guggenheim
Duração: 88 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

A história de Malala Yousafzai é impressionante. A mais jovem ganhadora do Prêmio Nobel da Paz ficou conhecida pelo mundo por sua luta para que as mulheres paquistanesas tivessem direito à educação formal, já que o talibã proibiu o acesso de meninas às escolas.

Após discursos e mobilizações, a jovem, aos 15 anos de idade sofreu um atentado em um ônibus escolar. Um soldado talibã atirou em sua cabeça, mas ela sobreviveu aos ferimentos e, depois de um longo período de recuperação e da mudança às presas para a Inglaterra, redobrou suas forças e passou a lutar pelo direito à educação de todas as mulheres do mundo.

O documentário de Davis Guggenheim é quadradinho em seu formato e não está muito preocupado em fazer uma contraposição à sua personagem principal, mas ganha pontos por contar uma história relevante para a sociedade e por demonstrar outras facetas da jovem engajada.

Logo no começo do filme sabemos a origem de seu nome. Ela reconta uma história que seu pai sempre contava, desde antes dela nascer, sobre uma adolescente que, vendo os paquistaneses fugir das tropas inglesas, subiu em uma montanha e fez com que eles retomassem a guerra, vencendo-a ao final. “Mais vale um dia como leão, do que cem anos como escravo”, afirma Malala adaptando uma frase famosa dita por alguém não tão legal assim.

Misturando animação, imagens de arquivos e tomadas de entrevistas e do cotidiano de Malala, Guggenheim consegue formar um retrato interessante da ativista, demonstrando que, de certo modo, ela foi educada desde muito nova para ser como é hoje. Não é só o nome, mas o acesso às conversas de adultos, a presença sempre constante na escola do pai e um incentivo constante para que não se calasse, contestasse.

Por um outro lado, o diretor deixa que conheçamos a menina boba e meiga que ainda briga com os irmãos, fica olhando homens que acha bonitos na internet, tem vergonha das notas baixas na escola e morre de timidez de coisas mais pessoais.

O ambiente familiar da jovem também é explorado, com entrevistas com seu pai, sua mãe e seus irmãos. Assim como sua firmeza no cumprimento da agenda internacional, que inclui discursos, palestras e visitas a autoridades e outros países. A visita de Malala à Nigéria, por exemplo, onde o grupo terrorista Boko Haram sequestrou diversas estudantes, e onde acompanhamos seu encontro com os pais das meninas, a sensação de impotência por ela demonstrada e a narração de seu encontro com o presidente nigeriano, comove quem assiste ao filme.

Guggenheim ainda faz um apanhado rápido sobre a situação paquistanesa, com a ocupação talibã, e tenta expor os métodos de dominação social empregados pelo líder talibã em Swat, terra natal de Malala, Maulana Fazlullah.

Ainda que falte um pouco de cinema no que se vê, da dificuldade com o ritmo do filme em sua parte final, Malala acaba sendo um documentário importante por sua personagem central. Um modo interessante de olhar para a construção dessa figura e perceber sua grandeza e importância nos dias de hoje.

Não é só alguém que ganhou um Prêmio Nobel aos 17 anos, é alguém que teve coragem de enfrentar todo um sistema opressor, excludente e assassino, e que hoje percebeu que pode fazer isso por muito mais gente, indo muito além de sua vila.

Um Grande Momento:
Se tivesse uma mãe e um pai comuns.

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