(Mais Forte que o Mundo: A História de José Aldo, BRA, 2016)
Ação
Direção: Afonso Poyart
Elenco: José Loreto, Cleo Pires, Milhem Cortaz, Jackson Antunes, Claudia Ohana, Romulo Neto, Felipe Titto, Paloma Bernardi, Robson Nunes, José Trassi, Gazé Fortfit, Rafinha Bastos
Roteiro: Afonso Poyart, Marcelo Rubem Paiva
Duração: 107 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Depois de assistir a 2 Coelhos e Presságios de um Crime, é fácil prever o que será, ao menos visualmente, Mais Forte que o Mundo: A História de José Aldo. Afonso Poyart mantém no longa-metragem biográfico algumas dos cacoetes impressos nos outros dois títulos. A estética de videoclipe, muita câmera lenta e o uso de cores sempre muito quentes marcam várias passagens do longa-metragem, mas, mais como o filme produzido em terras brasileiras com Fernando Alves Pinto e Alessandra Negrini, o diretor faz com que aquilo funcione para contar a história, escrita por ele e por Marcelo Rubem Paiva

Como outros filmes de esporte – e particularmente nos esportes de luta – é dentro do ringue que estão os melhores momentos do longa, embora a história do lutador de MMA e seu pai, também José Aldo, tenha o principal destaque. Poyart, contando com a montagem de Lucas Gonzaga, mistura vários momentos da vida de José Aldo Júnior a passagens delirantes que representam o que há por trás de todos os acontecimentos e, claro, a muita pancadaria.

Com bom ritmo e uma levada segura, o ponto mais problemático do filme está na aposta em uma referência explícita a Clube da Luta, filme bastante admirado dirigido por David Fincher. Mais Forte que o Mundo acaba sendo comparado ao filme estrangeiro e isso, como era de se esperar, prejudica bastante o resultado final.

Para contar sua história Poyart conta com boas participações de Cláudia Ohana, Milhem Cortaz, Robson Nunes, Jackson Antunes, Cléo Pires e até do super modelo Paulo Zulu. Porém, o mesmo não pode ser dito das atuações forçadas e pouco convincentes de Paloma Bernardi, Rafinha Bastos e Rômulo Neto – este aqui bastante prejudicado por seu personagem -, além de outros coadjuvantes com menor tempo de cena. Já José Loreto, o ator com maior destaque, como não poderia deixar de ser, está bem seguro de seu José Aldo e entrega uma atuação bastante equilibrada, mesmo com os devaneios do diretor.

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Entre as qualidades mais destacadas do longa está a habilidade do diretor em pensar a ação, bem filmada por Carlos André Zalasik. Poyart se comporta bem com o gênero e acerta mesmo ao abusar dos efeitos sonoros e visuais, fazendo com que o espectador compre a ideia de sua câmera frenética sem titubear.

Todo o trabalho de desenho de produção, de Marinês Mencio, também se destaca positivamente, seja na recomposição das casas em Manaus ou na nova vida de José Aldo no Rio de Janeiro, sem falar nas sequências oníricas. A montagem, que une as linhas temporais, ainda com inserções gráficas e devaneios, também merece uma atenção especial.

Quanto ao conjunto geral, muitos estranhamentos podem acontecer durante a projeção. É o caso da trilha sonora, composta por Samuel Ferrari, que tem o tom retumbante, grandioso e, porque não dizer, clichê do gênero, e à vontade que o diretor tem de mesclar a ela canções populares de Charlie Brown, Lorde e outros. Acaba sendo um pouco demais.

Mas, apesar dos pesares, não é um filme ruim. Com muitas qualidades e defeitos, alguns bastante incômodos, Mais Forte que o Mundo: a História de José Aldo consegue realizar seu principal objetivo: contar a história de um dos maiores lutadores MMA do país de maneira eficiente e bastante envolvente.

Não é nada espetacular, mas entretém da maneira que maneira que deveria entreter.

Um Grande Momento:
A disputa do WEC.

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