(Louder Than Bombs, NOR/FRA/DNK, 2015)

Drama
Direção: Joachim Trier
Elenco: Devin Druid, Jesse Eisenberg, Erin Amy Ryan, Gabriel Byrne, Ruby Jerins, David Strathairn, Isabelle Huppert, Megan Ketch
Roteiro: Joachim Trier, Eskil Vogt
Duração: 109 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Uma exposição em homenagem à fotojornalista de guerra Isabelle Joubert Reed, morta em um acidente de carro três anos antes, faz com que um pai e seus dois filhos voltem a conviver juntos. Com memórias aleatórias e muito individuais sobre aquela mesma figura, os três foram deixando de se relacionar, criando realidades e tentando seguir em frente.

Depois do excelente Oslo, 31 de Agosto, o diretor Joachim Trier faz um curioso trabalho para falar da lembrança e da influência de fatos – reais ou criados – na vida de cada um e nas relações estabelecidas. Com a narrativa entrecortada por flashbacks e sequências oníricas, a imagem de Isabelle vai se construindo no longa-metragem Mais Forte que Bombas.

A força daquela ausência na vida de Gene e de seus filhos Jonah e Conrad vai tomando corpo e, durante um bom tempo da projeção, faz com que a tensão atinja seu ponto mais alto, na incerteza de que alguma coisa está prestes a acontecer.

O diretor norueguês sabe como prolongar esse sentimento e, por algumas vezes, tanto pelo tema – a reconstrução de uma imagem – como pela abordagem, é possível lembrar-se do longa-metragem nacional Para Minha Amada Morta, dirigido por Aly Muritiba e distribuído também pela Vitrine Filmes, que estreia hoje nos cinemas.

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Além disso, Trier mescla muito bem sequências mais textuais – que poderiam ficar perdidas ou cansativas em meio a uma história que não tem seu foco em reviravoltas chocantes ou grandes revelações – a deslumbrantes sequências visuais e interessantes intercalações de narradores.

Mas, apesar das qualidades, há uma certa dificuldade de conexão do espectador a partir de dado momento. É como se um certo distanciamento do discurso forçasse a exclusão de quem assiste ao filme, uma barreira que impede a identificação.

Essa quebra inesperada, dado o envolvimento do começo e a relação de ansiedade criada pelo comportamento de Conrad, atrapalha o resultado final, mas não consegue diminuir a experiência narrativa realizada por Joachin Trier, que definitivamente sabe como usar a imagem e o texto para contar uma história.

Somando à sua capacidade, está um elenco empenhado, com destaque para o jovem Devin Druid como o caçula, Isabelle Huppert como a mãe (ou a memória da mãe) e Gabriel Byrne como o pai. Até Jesse Eisenberg, ainda bem marcado por seus cacoetes, funciona bem como o filho mais velho.

Mais Forte que Bombas conta uma história com muitos caminhos a serem descobertos e, ainda que padeça de uma certa irregularidade, merece ser conhecido.

Um Grande Momento:
Tudo pode ser manipulado.

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