(Magic Mike, EUA, 2012)

Drama
Direção: Steven Soderbergh
Elenco: Matthew McConaughey, Channing Tatum, Olivia Munn, Alex Pettyfer, James Martin Kelly, Cody Horn, Reid Carolin, Avery Camp, Kevin Nash, George A. Sack, Micaela Johnson, Denise Vasi, Joe Manganiello, Matt Bomer, Adam Rodriguez, Gabriel Iglesias
Roteiro: Reid Carolin
Duração: 110 min.
Nota: 4 ★★★★☆☆☆☆☆☆

Steven Soderbergh sabe fazer uma coisa como poucos: ele é tão preguiçoso com suas histórias que consegue causar no espectador o mesmo sentimento, uma preguiça enorme. Comprovando a teoria de que quantidade não tem nada a ver com qualidade, ele segue fazendo filmes como quem vai tomar um café na esquina e pouco se importa com a origem dos grãos, a qualidade da tosta ou a temperatura da bebida.

Nos últimos dois anos, foram quatro títulos: um que quase ninguém viu (The Last Time I Saw Michael Gregg), um com um monte de amigos famosos (Contágio), um protagonizado por uma lutadora de MMA (A Toda Prova) e este protagonizado por um ex-gogo boy que virou astro de cinema. Ainda que o da epidemia tenha algumas qualidades, esta está longe de ser uma lista de títulos imperdíveis. Estes, aliás, talvez sejam raros numa filmografia tão grande. Sexo, Mentiras e Videotape, Traffic: Ninguém Sai Limpo, Onze Homens e um Segredo, Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento e, vá lá, os dois filmes do Che são poucos perto dos quase 30 filmes já lançados. Ignorando aqui que entre eles está o sacrilégio Solaris, refilmagem do clássico homônimo de Andrei Tarkovski, que contaria mais pontos negativos do que positivos.

Magic Mike é mais do mesmo. Com roteiro de Reid Carolin e aproveitando a presença no elenco de Channing Tatum, alguém que realmente viveu a vida que está sendo mostrada, Soderbergh resolve explorar o mundo dos strippers masculinos, que fazem fortunas nos clubes de mulheres espalhados pelo mundo, trocam o dia pela noite e não sabem o que fazer da vida. Parece clichê. E é. Ainda que tente dar uma aura diferenciada ao seu protagonista, com pinceladas sobre design de móveis, o filme não consegue desenvolver seus personagens satisfatoriamente e não resiste aos estereótipos, se tornando raso e frágil.

Para piorar, o time de fortões escolhidos para tirar a roupa, que, justiça seja feita, cumpre bem os requisitos físicos, está muito longe de conseguir requebrar como seria esperado. Nem mesmo o magnetismo de Matthew McConaughey e todos os seus gomos abdominais conseguem minimizar isso. E ainda tem Tatum dançando e sensualizando com toda a competência para lembrar o público a cada nova dança de como é que a coisa deveria funcionar. Mas ainda assim, com quadril duro e tudo, perdido em tentativas rasas de pequenos dramas e passagens divertidas, é mesmo nos números musicais que o filme consegue se segurar.

Mas isso é muito pouco perto do resultado final e não supera a sensação de tempo perdido. Um dia a gente aprende com o Soderbergh como valorizar a preguiça e deixa ela vencer a vontade de ir ao cinema. Para os filmes dele tem sido uma boa e certeira pedida.

Um Grande Momento

Descobrindo Channing Tatum no palco.

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