(Lula, o Filho do Brasil, BRA, 2009)

É estranho dizer que um filme não é eleitoreiro, se a data escolhida para seu lançamento é justamente o último ano de mandato do seu personagem principal e começo de campanha eleitoral. Também é estranho avisar a seus espectadores que não existe verba estatal e incentivo fiscal no dinheiro levantado, se todas as empreseas patrocinadoras , ou pelo menos a maioria delas, são vencedoras de licitações milionárias e tem um vínculo mais forte com o governo do que os próprios políticos.

Ainda assim, a idéia de Barretão ao produzir o filme do filho parece ter sido mesmo ganhar dinheiro (muito) e a do filho, fazer as pazes com a crítica e o público depois de estrondosos desastres. Então, nada mais fácil do que pegar a história de superação daquele que saiu do nada e se tornou presidente da República.

Lula, queiram ou não, é realmente um fenômeno. Seu carisma e popularidade junto a todo o sofrimento de sua vida fazem a diferença e chamam a atenção de todos.

O filme conta sua história desde o nascimento até seus anos como lider sindical, terminando antes da fundação do Partido dos Trabalhadores. Passagens de sua vida, com uma infância no sertão pernambucano, a viagem em pau-de-arara para São Paulo, a vida na pobreza, enchentes, o pai alcóolatra e violento, o acidente de trabalho e a viuvez precoce entre outros, são retratadas em detalhes.

Mesmo com uma super história, o resultado final tem muita coisa fora do lugar. Para começar, a duração excessiva. Por mais história que tenha, pelo menos uns 20 minutos poderiam ser cortados do filme sem grandes prejuizos.

Diálogos piegas, uma trilha sonora opressiva e manipuladora e muitos flashbacks demonstram que o que o diretor queria era que as pessoas se emocionassem a qualquer custo. Como se fosse necessário qualquer artifício para isso com uma história daquelas.

Algumas coisas conseguem se salvar. Há bons momentos, como o discurso no estádio em que, para que todos escutem, os primeiros vão gritando para as fileiras de trás o que Lula está dizendo. Ainda que tenha acontecido realmente, é uma bela cena de cinema.

Glória Pires está ótima como Dona Lindu e Milhem Cortaz também diz ao que veio como o pai Aristides, mas é Rui Ricardo Dias que chama a atenção de todos como Luís Inácio. Vindo do teatro, o ator consegue se transformar aos poucos naquele Lula de anos atrás.

No fim das contas, a história excelente merecia um diretor melhor, mas, forte, sobrevive bem ao que tem. E Lula, o Filho do Brasil, mesmo sendo irregular, ainda tem chance de fazer sucesso com o público, tanto por sua estratégia de lançamento (serão 500 salas no Brasil todo), como pela popularidade de seu retratado.

Mas isso só saberemos depois.

Um Grande Momento

O discurso no estádio .

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Drama
Direção: Fábio Barreto
Elenco: Rui Ricardo Dias, Glória Pires, Milhem Cortaz, Lucélia Santos, Juliana Baroni, Cléo Pires, Antonio Saboia, Marcos Cesana
Roteiro: Denise Paraná (livro), Fernando Bonassi, Daniel Tendler
Duração: 128 min.
Minha nota: 5/10