(Lovelace, EUA, 2013)

Drama
Direção: Jeffrey Friedman, Rob Epstein
Elenco: Amanda Seyfried, Peter Sarsgaard, Sharon Stone, Robert Patrick, Juno Temple, Chris Noth, Bobby Cannavale, Hank Azaria, Adam Brody, Chloë Sevigny, James Franco, Debi Mazar, Wes Bentley, Eric Roberts, Ron Pritchard, LisaGay Hamilton, Adam Tomei
Roteiro: Andy Bellin
Duração: 93 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Quando Garganta Profunda foi lançado, uma verdadeira revolução se iniciou no cinema americano, pois o sexo jamais seria encarado do mesmo modo. Foi o primeiro instante em que um filme de pornografia explícita ganhou as telas de cinema e as reações foram as mais diversas possíveis. Brigas judiciais foram travadas, grupos a favor ou contra Garganta Profunda saíram às ruas e o cinema pornô foi ganhando espaço. A ponto de concorrer diretamente com produções hollywoodianas no futuro mercado de vídeo.

Outro capítulo de Garganta Profunda, não menos importante, chama-se Linda Lovelace. O que motivou uma jovem de 21 anos a participar daquela obscura indústria pornográfica? Seria uma forma de protesto contra o ambiente de repressão criado por seus pais durante toda a sua vida, falta de dinheiro, o marido abusivo ou outros aspectos desconhecidos? A cinebiografia Lovelace chega com a intenção de elucidar esse e outros mistérios em torno da mulher que estampa o pôster de um dos filmes mais polêmicos já produzidos na história.

Pais de Linda (Amanda Seyfried), John e Dorothy Boreman (Robert Patrick e Sharon Stone) educaram a filha para que ela estivesse distante de qualquer má influência. Para Dorothy, Linda deveria tornar-se uma esposa exemplar, disposta a fazer tudo pelo seu marido. Embora Linda se case rapidamente com Chuck Traynor (Peter Sarsgaard) como pretexto para sair de casa, ela levará o conselho da mãe até as últimas consequências, que antes já a havia obrigado a entregar para a adoção um filho vindo de uma gravidez indesejada.

A princípio amável e atencioso, Chuck vai se revelando um sujeito chantagista e ameaçador. É por ele que Linda se envolve com a produção de Garganta Profunda. A partir do instante em que Chuck revela ao diretor Gerry Damiano (Hank Azaria, em versão fictícia de Gerard Damiano) e ao produtor Butchie Peraino (Bobby Cannavale, em versão fictícia de Louis Peraino) uma habilidade, digamos, singular ao fazer sexo.

Entregue às salas de cinema, Garganta Profunda foi um estrondoso sucesso. Graças a um boca a boca que atraiu de idosos até integrantes da alta classe americana. No entanto, embora inebriada com a fama, Linda Lovelace rapidamente avaliou as consequências negativas, o que a fez tomar a decisão de se desligar imediatamente da indústria pornô e a enfrentar a fúria de Chuck, que substitui as agressões físicas por ameaças com um revolver.

A história de Linda Lovelace sem dúvida merecia um filme e Lovelace acerta na boa recriação de época e no empenho dos membros do elenco que desempenham os papéis principais. Reconhecida por suas protagonistas açucaradas de filmes como Mamma Mia! e Querido John, Amanda Seyfried está muito bem como Linda (papel originalmente oferecido à Lindsay Lohan) e é auxiliada tanto pela maquiagem que a deixa muito parecida com a verdadeira Lovelace, quanto pelas cenas em que contracena com os veteranos Robert Patrick e Sharon Stone, ambos excelentes.

Por outro lado, a dupla de diretores Jeffrey Friedman e Rob Epstein, com base no roteiro de Andy Bellin (autor do também polêmico Confiar), não é capaz de desmistificar Linda completamente e sequer apresenta dados que consigam diferenciar Lovelace de uma cinebiografia banal. Porém, a culpa também é do trabalho dos montadores Matt Landon e Robert Dalva, que estraçalharam Lovelace na pós-produção.

Além da participação de alguns intérpretes ser misteriosamente minimizada, a exemplo dos segundos em que Chloë Sevigny aparece fazendo uma jornalista feminista ou mesmo a contribuição de Sarah Jessica Parker totalmente limada do resultado final, Lovelace oferece involuntariamente a sensação de repetição ao lidar com uma cronologia atrapalhada. Existe até um momento em que a narrativa avança seis anos somente para, na cena seguinte, retroceder ao ponto em que iniciou.

Célebres documentaristas, com um Oscar na prateleira por Caminhos Cruzados, Jeffrey Friedman e Rob Epstein desapontam em Lovelace porque não compreendem o poderoso material em mãos. Apontam como ápice da carreira de Linda Lovelace seu encontro com Hugh Hefner (James Franco) e se esquecem de avaliar os acontecimentos, inclusive políticos, emergidos com Garganta Profunda e a incapacidade de Linda Susan Boreman em se desvincular de um pesadelo chamado Linda Lovelace.

Um Grande Momento:
Linda conversando com o pai ao telefone.

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