(Lincoln, EUA/IND, 2012)

Drama
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Daniel Day-Lewis, Sally Field, David Strathairn, Joseph Gordon-Levitt, James Spader, Hal Holbrook, Tommy Lee Jones, John Hawkes, Jackie Earle Haley, Bruce McGill, Tim Blake Nelson, Joseph Cross, Jared Harris, Lee Pace, Peter McRobbie, Gulliver McGrath, Gloria Reuben, Jeremy Strong
Roteiro: Doris Kearns Goodwin (livro), Tony Kushner
Duração: Duração 150 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Entre muitas diferenças e divergências, há uma figura que parece agradar a todos os norte-americanos, Abraham Lincoln, o 16º presidente dos Estados Unidos e um dos responsáveis por muita coisa em seu país ser o que é hoje.

Retratado como pessoa de fino trato, que não levantava a voz e sempre atendia a todos com sorrisos, ele tinha na teimosia sua melhor qualidade. Foi com ela que, entre outras coisas, fundou o partido republicano, que antigamente estava muito mais próximo ideologicamente ao democrata que conhecemos hoje em dia; aboliu a escravidão e reuniu uma nação que se via dividida pela guerra da secessão.

Um pouco da história deste homem chega aos cinemas e quem assina a homenagem é Steven Spielberg. É possível notar o amor do diretor pelo trabalho em cada segundo do longa-metragem. Há cenas épicas de batalha, como já estamos acostumados a ver, mas Lincoln é um filme diferente dos outros da sua filmografia. Muito focado em discursos e palavras, conhecemos um pouco da vida particular do presidente norte-americano e acompanhamos as investidas de seus partidários para a aprovação da 13ª emenda constitucional, aquela que proibiria a escravidão e transformaria os negros em cidadãos americanos.

O filme é um retrato interessante da política. Os meandros, manipulações, joguetes e apelações que conhecemos hoje também estão lá e demonstram que essa grande roda gira assim em qualquer lugar há muitos anos. É universal. Além disso, é curioso perceber a transformação pela qual passaram os dois únicos partidos políticos do país. Mudanças de ideologias e novas situações acabaram fazendo com que um, de alguma maneira, virasse o outro. E vice e versa. O que também está longe de ser uma característica exclusiva de lá.

Sobrando na política, Lincoln tem um ritmo mais arrastado e acaba cansando. Embora Spielberg tente amenizar o problema com inserções da guerra que acontecia naquele mesmo momento entre os estados do sul e do norte, estas acabam contaminadas pelo clima geral e, por mais de uma vez, a alternância entre os dois ambientes incomoda mais do que ajuda (que o diga a briga do jovem Robert Lincoln para entrar na guerra).

Mas Spielberg não parece se preocupar muito com isso e segue contando sua história exatamente como imaginado, mantendo o foco nos dois fatos que por fim custaram a vida do presidente. Com um filme todo diferente do que estamos acostumados a ver, é inclusive no momento da morte que menos se reconhece o diretor e isso é bem positivo.

Outra diferença facilmente percebida é a trilha sonora discreta e comedida do sempre retumbante John Williams. Junto com a trilha, entre as qualidades inegáveis do longa, estão os trabalhos do diretor de fotografia Janusz Kaminski, o desenho de produção de Rick Carter e o figurino de Joanna Johnston.

Qualidades e defeitos à parte, todos os olhos se voltam mesmo ao trabalho fenomenal de Daniel Day Lewis. Não deixa de ser curioso que um ator inglês dê vida a um dos mais amados presidentes norte-americanos, mas a incorporação daquela figura doce e obstinada é tão perfeita que é difícil não se render e esquecer esse detalhe. O trabalho destaca-se nas sutilezas. A postura, a entonação, as feições. É tudo tão calculado e tão natural que é impossível alguém não reconhecer a qualidade de Day Lewis. Em um filme como Lincoln, esse tipo de observação fica facilitado.

Ainda que longe de qualquer comparação, outros bons trabalhos podem ser vistos no longa. É o caso de Tommy Lee Jones como o republicano radical Thaddeus Stevens; Sally Field como a primeira-dama Mary Todd Lincoln; David Strathairn como o secretário de estado William Seward; Jackie Earle Jones, como o vice-presidente dos Estados Confederados Alexander H. Stephens, e Lee Pace, como o melhor orador do partido democrata.

Mais longo do que precisava ser e com um ritmo complicado, Lincoln desperta o interesse graças a atuações carismáticas e por ser um Spielberg que, ainda que guarde algumas marcas registradas, consegue ser tão diferente de toda a sua obra. Além disso, é muito interessante conhecer os bastidores políticos de um momento histórico importante e perceber a construção de convicções a qualquer custo e por motivações diversas.

Um Grande Momento:
Convencendo os colegas republicanos a conseguir os votos que faltavam para a aprovação da emenda.

Logo-Oscar1Oscar 2013
Melhor Ator (Daniel Day-Lewis), Melhor Direção de Arte (Rick Carter, Jim Erickson)

Lincoln

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