(Lance Maior, BRA, 1968)

Comédia

Direção: Sylvio Back

Elenco: Reginaldo Farias, Irene Stefânia, Regina Duarte, Isabel Ribeiro, Lota Moucada

Roteiro: Oscar Milton Volpini, Nelson Padrella, Sylvio Back

Duração: 100 min.

Minha nota: 6/10

“Aquilo é mulher para 400 talheres.” Com frases como esta, voltamos ao tempo em que o Fusca ainda não era New Beatle, as mulheres faziam tudo por um casamento, sexo era feito sem camisinha e a Regina Duarte era uma pessoa que não sentia tanto medo.

O filme Lance Maior, recém restaurado, foi o escolhido para encerrar o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro esse ano. Bem temporal, o filme mostra o estilo de vida nos anos 60 e é justamente nos costumes de época que encontra a sua força.

Um homem e duas mulheres vivem uma espécie de triângulo amoroso. Neusa é a tímida balconista de uma loja de tecidos e Cristina, uma grã-fina moderna e “pra frentex”. Ambas estão envolvidas com Mário, um bancário que sempre quer se dar bem.

Desde o começo, sabemos que estamos entrando no túnel do tempo. O início do filme, um longo videoclipe com imagens de Regina Duarte a la Garota do Fantástico, rindo, dançando e nadando, é diferente de tudo que estamos acostumados e, por mais de uma vez, parece que estamos diante de um antigo seriado estadunidense.

Reginaldo Farias, bem novinho mas já veterano nas telonas, dá vida ao cafajeste Mário e está muito bem no papel. Assim como a linda Irene Stefânia, no papel da menina pobre que quer arranjar um casamento a qualquer custo.

Apesar de todo o clima saudosista e curioso, o filme peca em alguns aspectos e não segue uma única linha narrativa. Muitos dos enquadramentos são emprestados da televisão e algumas vezes fica a impressão de que a finalização do filme foi feita meio que na correria.

Mas isso é o que menos importa se a idéia é assistir ao primeiro filme do premiado Sylvio Back, tido como um dos que incluiram Santa Catarina no mapa do cinema brasileiro.

Apesar do começo um pouco lento e muito diferente, depois de nos acostumarmos com tudo que vemos, acabamos tendo ótimos momentos. O roteiro, inspirado, surpreende o espectador e consegue provocar boas risadas.

Uma ótima maneira de documentar os hábitos e costumes de uma época bem diferente da atual. Até por isso algumas falas podem não ser compreendidas logo de cara, pois as gírias usadas já viraram outras que, provavelmente, não serão entendidas pelas próximas gerações.

Vale a pena esperar o desenrolar do filme. Bem curioso!

Um Grande Momento

“Comigo, amor é só depois…”



Prêmios e indicações
(as categorias premiadas estão em negrito)

Festival de Brasília: Atriz (Irene Stefânia), Cartaz (Manoel Coelho)

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