(Ayashiki Bungo Kaidan, JAP, 2010)

Terror
Direção: Hirokazu Kore-eda, Masayuki Ochiai, Shinya Tsukamoto, Sang-Il Lee
Elenco: Mitsuru Hirata, Sei Asina, Aoba Kawai, Eri Tokunaga, Jun Kunimura, Yutaka Matsushige, Haruka Igawa, Ryo Kase, Yuri Nakamura, Takeru Shibuya
Roteiro: Yasunari Kawabata, Osamu Dazai, Akutagawa Ryūnosuke, Saisei Muro
Duração: 160 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Yasunari Kawabata, Osamu Dazai, Akutagawa Ryunosuke e Saisei Muro são importantes escritores japoneses de horror e mistério. “Kaidan Horros Classics”, produzido pela TV japonesa NHK, é composto por quatro curtas baseados nas histórias desses autores.

No primeiro, “The Arm”, o diretor Ochiai Masayuki faz uso de uma forte estética noir para contar a história de um homem que, encantado por uma bela mulher, lhe pede que empreste seu braço por uma noite. O restante do curta aborda a surreal conversa entre o homem e um braço falante em um quarto não identificado. É o mais limitado dos contos do filme, não só por não explorar a contento todo o fetichismo que a situação sugere, mas também por parecer uma versão requentada e pouco criativa de algum filme de David Lynch. Não faltam elementos típicos da filmografia do cultuado diretor norte-americano: estética noir com direito à femme fatale, espelhos que refletem o inconsciente do personagem, membros amputados, além do clima onírico da narrativa.

O segundo curta, “The Wistler”, conta a história de uma mulher que tem suas esperanças de namorar um rapaz frustradas pela proibição do severo pai. Ao mesmo tempo sente ciúmes da irmã, doente terminal que recebe várias cartas de amor de um admirador secreto. Com planos cuidadosos e uma câmera nervosa, o diretor Tsukamoto Shinya parece se perder neste confuso roteiro que tem como pano de fundo a repressão do desejo sexual feminino.

Na melhor das histórias, “The Nose”, de Lee Sang-il, um sacerdore budista medieval possui uma enorme deformação em seu nariz, o que lhe confere um aspecto hediondo e monstruoso. Conforme a conveniência e o interesse dos moradores de sua vila, ora é tratado como um legítimo enviado de Buda, ora como um monstro horrendo. Além disso é aterrorizado pelo fantasma de um menino cuja morte ele carrega a culpa. Impossível não comparar novamente à David Lynch, que em seu “O Homem Elefante” também escancara a selvageria humana gerada a partir do preconceito frente a uma deformidade física.

Em “The Days After”, Hirokazu Kore-eda dirige o mais contido e reflexivo dos curtas do filme, em que um casal é visitado periodicamente por seu filho morto. Os protagonistas, que oscilam entre a dúvida e a esperança, não aceitam a morte do filho, o que se evidencia pelo fato de a criança que os visita ter seis anos de idade, embora sua morte tenha ocorrido quando tinha apenas um ano. Esta é a mais misteriosa e melancólica das histórias de “Kaidan Horror Classics”.

Um Grande Momento

A terceira das histórias do filme, The Nose.

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