(Kaboom, EUA/FRA, 2012)

Ficção Científica
Direção: Gregg Araki
Elenco: Thomas Dekker, Haley Bennett, Chris Zylka, Roxane Mesquida, Juno Temple, Andy Fischer-Price, Nicole LaLiberte, Jason Olive, James Duval, Brennan Mejia, Kelly Lynch, Carlo Mendez, Christine Nguyen, Michael James Spall
Roteiro: Gregg Araki
Duração: 86 min.
Nota: 3 ★★★☆☆☆☆☆☆☆

Assim que iniciou a trilogia Apocalipse Adolescente em 1993 com Totally F***Ed Up, o americano Gregg Araki imediatamente se tornou notório entre os fãs de cinema underground. Trata-se de um dos poucos cineastas contemporâneos que discute sobre a rebeldia e anseios presentes no universo de jovens homossexuais. Apenas Smiley Face – Louca de Dar Nó, comédia de 2007 protagonizada por Anna Faris, é uma obra distinta do que Araki vem dirigindo.

Exibido fora de competição em Cannes e no Festival do Rio 2010, Kaboom finalmente chega ao circuito comercial e apresenta o velho Gregg Araki, agora inserido no gênero de ficção científica.

Na primeira cena de Kaboom, testemunhamos um sonho que se repete constantemente no inconsciente de Smith (Thomas Dekker). Nu, ele é encarado pelo seu colega de quarto Thor (Chris Zylka), sua mãe (Kelly Lynch), sua melhor amiga Stella (Haley Bennett) e outras duas belas garotas, uma morena e uma ruiva que ele jamais viu em toda a sua vida, enquanto anda em um corredor. Ao final da travessia, Smith se depara com uma porta com o número 19. Ao abri-la, vê uma lixeira vermelha, imagem que sempre interrompe o sonho.

Hóspede de uma república estudantil, Smith tem dezoito anos, gosta de homens e supre os seus desejos sexuais ao fantasiar em sua mente um relacionamento com Thor, o descerebrado surfista heterossexual com quem divide o quarto. Ao aceitar o convite de Stella para uma balada, Smith flagra as duas garotas desconhecidas presentes em seu sonho. A morena, Lorelei (Roxane Mesquida), é uma bruxa com quem Stella passa a namorar. Já a ruiva, Madeleine (Nicole Laliberte), esbarra em Smith na pista de dança e vomita em seus sapatos. Ao limpá-los no banheiro, Smith conhece London (Juno Temple), com quem irá para a cama sob o efeito de um biscoito alucinógeno.

Smith interpreta o seu sonho como um aviso de que algo de ruim acontecerá quando revê na mesma noite Madeleine sendo perseguida por um trio de sujeitos usando máscaras de animais. A partir desse ponto, o roteiro, também assinado pelo diretor, adota as características do cinema fantástico misturadas com elementos de mistério.

A mudança de tom em Kaboom compromete todo o trabalho de desenvolvimento do protagonista e dos personagens secundários mais relevantes da história. Em muitos momentos motivados pelo prazer sexual, os indivíduos desenhados por Araki de uma hora para outra se convertem em meros fantoches de uma trama apocalíptica, que se justifica num ato final conduzido de maneira apressada e sem qualquer noção do ridículo.

Desta vez, parece que o diretor simplesmente não teve nada a dizer. Engraçado é testemunhar este vazio ganhando uma tradução involuntária com um desabafo do protagonista: no início da história, Smith diz que sempre quis estudar cinema, mas receia que o cinema que conhecemos não existirá nos próximos anos. Se continuar investindo tempo em besteiras como Kaboom, há uma grande chance dessa profecia se concretizar no cinema de Gregg Araki.

Um Grande Momento

Smith descreve a diferença entre ficar com um menino e uma menina.

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