(Julieta, ESP, 2016)
Drama
Direção: Pedro Almodóvar
Direção: Adriana Ugarte, Emma Suárez, Inma Cuesta, Rossy de Palma, Daniel Grao, Darío Grandinetti, Nathalie Poza
Roteiro: Alice Munro (contos), Pedro Almodóvar
Duração: 99 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

O cineasta Pedro Almodóvar volta ao universo feminino e à maternidade em seu novo longa-metragem Julieta. O drama trágico – não é por acaso que o filme tem o nome de uma das mais icônicas personagens de William Shakespeare – conta a história de uma mulher que tenta fugir do passado e de remorsos, mas se encontra completamente presa a eles.

Adaptado de três contos de Alice Munro: “Ocasião”, “Daqui a Pouco” e “Silêncio”, todos publicados no livro “Fugitiva”, o filme trata de dor, saudade, culpa e ausência, temas pesados, mas trabalhados com muita delicadeza pelo diretor espanhol.

Quem conta a história é a própria personagem-título, conhecida superficialmente enquanto arruma a mudança para Portugal, onde irá morar com o namorado, e em um encontro casual na rua com uma amiga de infância sua filha. Este evento muda os planos de Julieta. Enquanto ela vai definhando dentro de uma culpa sem tamanho, sua história vai revelando-se ao espectador por meio de um diário escrito à filha Antía, que foi embora de casa aos 18 anos e nunca mais deu notícias.

A história narrada traz a antiga vida de Julieta, desde sua primeira culpa. Neste período, quem interpreta a personagem é a bela Adriana Ugarte. Com olhos marcantes e rosto de simetria perfeita, ambos bastante explorados por Almodóvar, ela traz a jovialidade ao papel, embora o trabalho mais pesado seja executado por Emma Suárez, a Julieta dos dias atuais. É impressionante como a atriz consegue transmitir toda a perturbação e decadência de sua personagem.

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O filme está cheio de marcas registradas do diretor. Desde a participação de sua antiga colaboradora Rossy de Palma como Mírian, uma governanta mal-humorada, até o uso muito preciso das cores fortes, com destaque para o vermelho e o azul, em uma composição estética que beira a perfeição.

As composições visuais, com uma iluminação sempre adequada aos sentimentos e uma direção de arte que compreende e transmite bem o que se passa no interior da personagem, se aperfeiçoam ainda mais com a trilha sonora. É com ela que Almodóvar inspira um certo suspense, o que dá um charme adicional à trama.

O diretor demonstra ainda muita habilidade com o melodrama, trabalhado com precisão em uma história que facilmente poderia se perder no meio do caminho. Porém, a precisão faz com que esteja sempre dentro dos limites traçados por ele.

Julieta é daqueles filmes que capturam o espectador desde suas primeiras cenas, mas sofre um pouco com as facilitações do roteiro. Está tudo amarradinho demais e, pior, chegando sempre de mão beijada ao espectador, que não precisa fazer muito mais do que se deliciar com a estética e aguardar os próximos acontecimentos.

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O defeito, incomum na obra do diretor, não diminui a força do que se vê na tela. Aquela culpa e aquela dor permanecem com quem assiste ao filme por muitos dias depois da exibição.

Mesmo não sendo um Almodóvar de primeira grandeza, Julieta é um autêntico Almodóvar e só isso já é razão demais para ver o filme.

Um Grande Momento:
Entendendo a dor do outro.

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