(Julie & Julia, EUA, 2009)

Comédia
Direção: Nora Ephron
Elenco: Meryl Streep, Amy Adams, Stanley Tucci, Chris Messina, Linda Emond, Helen Carey, Mary Lynn Rajskub, Jane Lynch, Joan Juliet Buck, Crystal Noelle
Roteiro: Julie Powell (livro), Nora Ephron
Duração: 123 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆
Algumas pessoas são fanáticas por filmes e programas de culinária e eu sou uma delas. O simples fato de ver na tela uma pessoa naquela dança que envolve recriar a receita do papel dá água na boca. Este é um dos grandes motivos para se ver Julie & Julia, mas não o único. O fato de ter Meryl Streep no elenco também conta muito.

Julia é Julia Child, umas das precursoras deste tipo de programa. Nos anos 50 ela ensinava para milhares de americanos um pouco sobre culinária francesa e se tornou famosa e muito admirada por isso.

Julie é Julie Powell, uma mulher comum, sem fama, programa de tv ou, tampouco, algo para se orgulhar e que, num desses momentos de reflexão, percebe que nem seu trabalho nem sua vida são interessantes. Decidida a mudar essa realidade, encara o projeto de preparar as 524 receitas de um livro de Child (“Mastering the Art of French Cooking”) ao longo de um ano e escrever sobre a experiência em um blog.

Dirigido por Norah Ephron (Sintonia de Amor), o filme se baseou no livro de Powell, “Julie & Julia”, sobre sua experiência descrita no blog; e nas memórias de Child, “Minha Vida na França”, sobre a temporada em que ela morou em Paris acompanhando o marido diplomata Paul e, entre outras coisas, cursou a Le Cordon Bleu – a mais famosa escola de culinária do mundo.

O filme é todo contado com idas e vindas interligando os momentos das duas que, apesar de distante temporalmente, eram bastante semelhantes. Enquanto Julia em 1950 busca algo para preencher sua vida após a mudança com seu marido para um lugar estranho e sem amigos, Julie em 2002 se encontra cada vez mais frustrada com seu trabalho de telemarketing no apoio as vítimas do 11 de setembro.

Um dos defeitos do filmes está no roteiro que, ao mesclar as histórias, se demora demais ou no presente ou no passado, fazendo com o espectador quase esqueça da outra personagem.

Outro problema, um pouco mais grave, é querer comparar essas duas mulheres em alguns momentos, o que deve ter deixado alguns admiradores de Child de cabelos em pé. Não que a história dessa mulher que achou seu caminho por meio da vida da outra não tenha valor, mas ela simplesmente não é “a” Julia Child.

Entre as qualidades, está a interpretação de Meryl Streep (Mamma Mia!), que criou uma Julia Child tão igual a real que chega a impressionar. A voz irritante, o jeito atrapalhado e o carisma gigantesco estão todos lá. Aos brasileiros, que mal devem conhecer Julia Child, ela pode parecer mais forçada e irritante do que é na verdade, por isso aconselho uma visita ao Youtube.

Amy Adams (Dúvida) está adorável, como é na maioria das vezes, mas sofre a inevitável comparação com Streep. No entanto, ela constrói na medida certa os momentos de glória e frustração de sua personagem.

Vale citar Stanley Tucci (Dança Comigo?), que merece destaque por conseguir criar um sujeito simpático e elegante. O marido perfeito sem ser ofuscado por Streep. Já o marido de Powell, Chris Messina (Vicky Cristina Barcelona), é um coadjuvante e só, apesar de esforçado.

Apesar das falhas é um filme gostoso e que vai deixar os apaixonados por culinária especialmente satisfeitos ao exaltar cada prato concluído com sucesso. O filme é ainda uma celebração aos bons momentos da vida que devem saboreados com prazer (e com um bocado de manteiga, segundo Julia Child.)

Para abrir o apetite e ver sem compromisso.

Um Grande Momento

O encontro com a irmã.

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