(The Hunger Games: Mockingjay – Part 1, EUA, 2014)

Aventura
Direção: Francis Lawrence
Elenco: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Woody Harrelson, Donald Sutherland, Philip Seymour Hoffman, Julianne Moore, Sam Claflin, Elizabeth Banks, Mahershala Ali, Jena Malone, Stanley Tucci
Roteiro: Suzanne Collins (romance e adaptação), Danny Strong, Peter Craig
Duração: 123 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Katniss Everdeen está de volta. E em todo lugar, depois que a distribuidora do filme cumpriu a promessa de ocupar o maior número de salas em uma estreia no Brasil, cerca de 1.400 segundo eles. Mas Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 acaba devendo pra todo o estardalhaço e marca mais pela onipresença do que pela qualidade.

O primeiro tropeço já chega com a ideia de ganhar mais dinheiro com um final de franquia. Prática habitual na atualidade, últimos filmes de séries baseadas em livros acabam sendo divididos em duas partes. O que mais incomoda em A Esperança é a intenção financeira estar tão clara. Os prolongamentos excessivos e as muitas passagens desnecessárias estão ali apenas para encher linguiça, nem de longe justificam a divisão.

Além disso, há um comprometimento no ritmo do longa difícil de ignorar. Tanto no conjunto da franquia, quanto no próprio episódio. Para começar, o final de Em Chamas, segundo filme da série, deixa a plateia apreensiva, ansiosa com o que acontecera e o que viria a seguir. A revelação, em A Esperança, não chega nem perto daquele sentimento deixado em 2013. O passeio de Katniss pelo 13º e o retorno ao seu distrito carecem de emoção, sentimento e duram mais do que o necessário.

Em uma franquia que fez seu nome também pela violência das cenas de batalha e sobrevivência, a quase ausência deste ingrediente causa estranhamento. Para piorar, a primeira cena de ação não consegue convencer. Mal distribuída e mal coreografada, está ali para fazer a ligação com os outros filmes da série e confirmar a empatia de Katniss frente à revolução, mas é tratada tão isoladamente e com tanta displicência que melhor seria que não existisse.

Perdido na vontade de ganhar dinheiro de seus produtores, A Esperança – Parte 1 acaba sendo socorrido pela trama. A questão política por trás daquela sucessão de cenas de pouco peso, é sensacional. O filme vai pelas técnicas de propaganda, pela criação de um ícone e pela manipulação que funciona para todos os lados. A ditadura e o fascismo estão ali para quem quiser ver e tanto o desenvolvimento da ideia, como o estranhamento de Katniss com tudo aquilo que está sendo vendido como o mais correto, interessa e segura o filme.

Mas, ainda assim, não é suficiente para justificar uma sessão só para aquilo que se vê na tela. O desequilíbrio com os filmes anteriores é muito grande. E, se fiel ao livro de Suzanne Collins, com o próximo vai ser maior ainda.

Um Grande Momento:
A reação de Katniss ao primeiro discurso.

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