(The Conjuring, EUA, 2013)

Terror
Direção: James Wan
Elenco: Vera Farmiga, Patrick Wilson, Lili Taylor, Ron Livingston, Shanley Caswell, Hayley McFarland, Joey King, Mackenzie Foy, Kyla Deaver, Shannon Kook, John Brotherton, Sterling Jerins
Roteiro: Chad Hayes, Carey Hayes
Duração: 112 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

Já faz algum tempo que o cinema de terror deixou de ser aterrorizante. Prejudicado pela falta de criatividade no uso de velhas fórmulas, qualquer susto ou imagem assustadora que durasse mais tempo na cabeça do espectador era tida como um diferencial. A culpa da falta de medo parecia ser do excesso de exposição, afinal de contas, o medo vem daquilo que não conhecemos, mas Invocação do Mal vem para mostrar que não é bem esse o problema.

Usando as já muito conhecidas ferramentas de suspense, técnicas e afins, James Wan consegue fazer um filme completamente apavorante. Não há nada de novo em Invocação do Mal, mas também não há moderação. Cada uma das cenas é cheia de elementos que construíram a história do terror ao longo dos tempos.

Tem terror antigo, onde o não ver era o mais importante; terror novo, onde o apavorante tem que ter um rosto; fantasmas, possessão, exorcismo, paranormais. É nessa mistura e no excelente senso de manipulação do suspense que estão os principais motivos de sucesso do filme.

O longa começa com a sinistra história de uma boneca, de aparência igualmente sinistra, e faz uma espécie de apresentação dos dois paranormais Ed e Lorraine Warren, personagens já conhecidos pela participação no caso da casa assombrada em Amityville, filmado inúmeras vezes.

Os minutos iniciais, recheados de ansiedade, sustos e coroados com a indesejada frase “baseado em fatos reais”, servem para anunciar que muito medo está por vir.

Wan abusa de elementos tradicionais do gênero: o cachorro com medo, o sino de vento, o porão e a caixa de música, mas diferencia os momentos. Silêncios, ruídos e estrondos se equilibram em um trabalho de som competente, assim como os jogos de luz e sombra na fotografia.

A falta de preguiça na construção de cenas realmente tensas e uma preocupação constante em gerar no espectador a maior ansiedade possível, traz de volta aquela sensação dos primeiros filmes de terror da vida de alguém. Medos primários se confundem com a experiência no gênero, com a espera do susto que não chega nunca na hora prevista, ou o medo do que pode não estar sendo percebido, e criam a atmosfera necessária para o resto do filme.

Além da direção de Wan, que já havia mostrado suas qualidades na manutenção da tensão em Jogos Mortais e, com menos sucesso, em Sobrenatural, o longa conta com Vera Farmiga, Patrick Wilson e Lili Taylor no elenco, o que colabora com o resultado final.

Claro que algumas coisas incomodam um pouco, como aquela coragem que só os personagens de terror têm ou a quebra de ritmo quando acontece a primeira virada, talvez fundamental para que o público não morra do coração e consiga respirar um pouco da sequência frenética de sustos, mas, ainda assim, incômoda.

Invocação do Mal sobrevive aos problemas e consegue atingir o seu principal objetivo: apavorar. Prepare-se para ver um filme que junta tudo aquilo que você já viu ou ouviu falar, caprichado na tensão e na provocação da ansiedade e que agrada tanto os que preferem não ver, quanto os que precisam de uma imagem. Bem diferente de tudo que temos visto nas telonas por aí.

Um Grande Momento:
A porta do armário batendo sozinha.

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