(The Conjuring 2, EUA, 2016)
Terror
Direção: James Wan
Elenco: Patrick Wilson, Vera Farmiga, Madison Wolfe, Frances O’Connor, Lauren Esposito, Benjamin Haigh, Patrick McAuley, Simon McBurney, Maria Doyle Kennedy, Simon Delaney, Franka Potente, Bob Adrian
Roteiro: Carey Hayes, Chad Hayes, David Leslie Johnson, James Wan
Duração: 134 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Em 2013 estreava nos cinemas do mundo um filme vindo de Hollywood que voltava ao terror dos velhos tempos, Invocação do Mal. Baseado em uma história real, e informando isso aos espectadores, o longa-metragem ia além da batida sequência de sustos que tomou o cinema estadunidense do gênero e privilegiava a construção de uma atmosfera apavorante para envolver o espectador.

Considerado por muitos como o melhor filme de terror da década, Invocação do Mal tinha como protagonistas um casal de paranormais reais, conhecidos por vários eventos célebres. E isto nas mãos de um dos realizadores que, quando na função de produtor, esgota seus títulos em franquias quando fareja o sucesso comercial, obviamente traria novos filmes.

Assim, chegou aos cinema Invocação do Mal 2. No filme, o casal Lorraine e Ed Warren acaba de investigar a possível presença de espíritos malignos na famosa casa em Amityville, de onde a família Lutz saiu fugida e onde, um ano antes, toda família DeFeo fora assassinada pelo filho mais velho. A experiência na casa, faz com Lorraine queira se afastar da atividade dedicando-se apenas a palestras e shows de televisão.

Até que a igreja os procura – grande parte dos trabalhos dos paranormais chegava até eles pela igreja católica – para analisar um caso na Inglaterra, onde uma garota e sua família são assombradas pelo que parece ser o espírito de um antigo morador.

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Mais uma vez James Wan dá um tratamento especial ao seu terror, com contemporizações e algum cuidado com os personagens. Coisas básicas, mas que na maioria das vezes são negligenciadas no gênero. E não é só por isso que o cinema de horror do malaio se destaca, há em Invocação do Mal 2, como em seus outros filmes, a habilidade na manipulação de elementos que constroem o suspense e o terror em si.

Sempre buscando os medos mais primários, Wan joga seus personagens em cômodos escuros, alagados e faz um ótimo uso de silêncios e sons para conduzir com propriedade o clima em cena. Elementos cênicos aumentam a tensão, como um velho brinquedo, uma cabana no canto do corredor ou uma pintura na parede.

Apesar de todo o controle de cena, diferente do primeiro título da franquia, que já conta com os spin-offs Annabelle e – em pré-produção – The Nun, Invocação do Mal 2 não consegue manter o equilíbrio durante todo filme. Enquanto a primeira metade tem fôlego e envolve com sua história, a segunda descamba para o horror mais fácil e preguiçoso dos sustos gratuitos.

Mas, com o público já apavorado com a situação e os personagens paranormais, isso não importa muito. Depois que alguém consegue fazer com que o espectador tenha medo de alguma coisa, o fato desta coisa estar sempre prestes a aparecer/acontecer toma a atenção daquela pessoa e até mesmo soluções frágeis como a do filme são aceitas para que aquilo acabe logo.

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É como se Invocação do Mal 2 ficasse devendo enquanto cinema, mas, enquanto filme de terror, atingisse competentemente seu objetivo: assustar e impressionar aqueles que o assistiram.

Quando as luzes da sala ser acendem, muito do que foi visto fica na cabeça dos mais impressionados. Por isso, assim como no primeiro filme, é sempre bom evitar ficar sozinho depois da sessão. Pelo menos por um tempo.

Um Grande Momento:
O quadro na penumbra.

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