(Infancia clandestina, ARG/ESP/BRA, 2012)

Drama
Direção: Benjamín Ávila
Elenco: Teo Gutiérrez Romero, Natalia Oreiro, Ernesto Alterio, César Troncoso, Cristina Banegas, Mayana Neiva, Douglas Simon, Violeta Palukas, Candelaria Irigoyen, Lucas García, Lucas Zenone
Roteiro: Benjamín Ávila, Marcelo Müller
Duração: 112 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Se em Elefante Branco vemos que a realidade social atual do Brasil e Argentina não estão tão distantes assim, em Infância Clandestina voltamos a um momento da história que, infelizmente, também compartilhamos. A ditadura militar, longe de ser uma exclusividade do Brasil, esteve fortemente presente na América do Sul, perseguindo, prendendo, torturando e matando sob o falso manto da manutenção da democracia.

O filme conta a história de Juán, um filho de revolucionários peronistas que tem que aprender a viver de acordo com a situação política dos pais. Depois de uma emboscada policial na porta de casa e de um período em países como Brasil e Cuba, ele volta com a família à Argentina. Já pré-adolescente, com nome falso e vivendo legalmente uma vida que não é dele, convive com os problemas e acontecimentos naturais da idade enquanto espera a próxima ação guerrilheira.

Forte em seu conteúdo, o filme é um retrato interessante e duro da vida dos filhos de guerrilheiros. Ainda que algumas passagens, principalmente as com a jovem María, amenizem o que está sendo contado, a tensão, o medo e a incerteza contaminam todo o longa-metragem que, para alguém que vive em um país que passou por um período semelhante, chega ainda mais fundo.

Mesmo assim, é um filme que consegue manter a aura infantojuvenil a despeito do tema tratado. A boa opção por animações para ilustrar os momentos mais violentos, que nem por isso perdem a sua dureza, e o carisma do jovem Teo Guitiérrez Romero, que vive Juán, são fundamentais na criação desta atmosfera. Ainda que ela se apresente como problema depois.

Boas atuações e bons diálogos, como a deliciosa conversa sobre meninas com o Tio Beto ou a conversa entre mãe e filha, cativam, mas não conseguem esconder um certo desequilíbrio no conjunto geral. A crônica adolescente talvez invada espaço demais da trama principal, ou vice-versa, e o que se tem é menos interessante do que poderia ser.

Uma trilha sonora que aparece demais em certos momentos onde o silêncio falaria mais alto e insertos de passagens comuns em vídeos de festa de família também não ajudam. Mas são minimizados pelos inspirados acertos da fotografia de Iván Gierasinchuk e pela fantástica recriação de época da direção de arte de Yamila Fontan.

Entre seus defeitos e acertos, Infância Clandestina é um filme que consegue emocionar. Ao trazer à tona uma realidade trágica que não pode ser esquecida e, fazendo-a atraente para um público de menor idade que não costuma ver filmes sobre o tema, humaniza uma história que faz parte da construção não só daquele, como do nosso país e, de maneira geral, de todo um continente.

Um Grande Momento

A primeira emboscada.

Infancia Clandestina

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