(In the Land of Blood and Honey, EUA, 2011)

Drama
Direção: Angelina Jolie
Elenco: Rade Serbedzija, Zana Marjanovic, Goran Kostic, Branko Djuric, Nikola Djuricko, Milos Timotijevic, Dolya Gavanski, Alma Terzic, Goran Jevtic, Dzana Pinjo
Roteiro: Angelina Jolie
Duração: 126 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Conhecendo seu lado humanista, não é de admirar que Angelina Jolie, em sua estreia na direção, volte-se para um dos eventos mais chocantes e de maior impacto na história humana atual: a guerra da Bósnia Herzegovina. Boçal como qualquer outra guerra, o conflito no país da ex-Iugoslávia tem um peso diferente por sua dificuldade de definição – não se sabe ao certo se a guerra aconteceu por causa da queda do regime socialista, pelo envolvimento de grupos distintos com os países conflituosos Sérvia e Croácia, por intolerância étnica e/ou religiosa ou tudo isso junto – e pelas proporções alcançadas, sendo menos mortal do que a II Guerra Mundial apenas.

O conflito, já levado brilhantemente aos cinemas pelo bósnio Danis Tanovic, com o filme Terra de Ninguém, recebe um olhar mais feminino ao escolher a maneira mais romantizada possível de se contar um acontecido, através de uma história de amor, e ao focar nas atrocidades cometidas contra as mulheres simplesmente por seu gênero. Durante o conflito, mais de 40 mil mulheres foram estupradas, desde então, o estupro em massa passou a ser considerado uma arma de guerra.

O filme conta a história de amor entre Danijel, um soldado do exército bósnio, e Ajla, uma pintora de origem muçulmana. Apaixonados, eles se encontram em uma festa e dançam juntos no último dia de paz. A bomba lançada no local representa uma onda de ódio e intolerância entre aquele povo. Grupos contrários definidos, de um dia para o outro, amigos de infância viram inimigos, familiares passam a se odiar e a fé de alguns passa a influenciar em sua personalidade.

Jolie acerta em alguns pontos e erra em outros, mas consegue finalizar um trabalho eficiente ao gerar na plateia um clima que oscila entre o triste e desesperançoso. Ainda que mais superficial do que seria necessário, o que se percebe do conflito é tão absurdo e pouco humano que fica difícil acompanhar os acontecimentos com frieza e distanciamento.

Só por gerar essa empatia e conseguir manter o interesse do seu público, a diretora estreante já demonstra seu potencial. Claro que a necessidade de mais experiência é claramente notada, assim como um certo desequilíbrio entre cenas introspectivas, muito ligadas à forma; cenas normais e cenas de ação, de longe as mais fluidas e melhor trabalhadas, talvez pela experiência da atriz frente às câmeras.

A direção de atores é regular mas, em algumas cenas específicas, o elenco parece superar os limites determinados pela diretora, ou fazendo demais ou fazendo de menos, e gerando uma sensação incômoda de heterogeneidade na construção dos personagens.

Quanto ao roteiro, ele peca por sobrecarregar elementos que só existem para provocar o espectador emocionalmente, como se houvesse alguma desconfiança com relação à capacidade da história contada.

Ainda assim, In the Land of Blood and Honey tem o seu valor. Principalmente por ser um retrato ainda não feito de uma guerra que comprova a total falta de cabimento de ações bélicas, que incitam a intolerância, desafiam laços sólidos e fazem com que um ser humano perca o que existe de humanidade nele.

É, sem dúvida, um bom começo.

O filme integra a mostra Panorama do Cinema Mundial no Festival do Rio 2012.
Próximas sessões:
Dia 05/10, às 15:20, no Estação SESC Rio 3
Dia 07/10, às 17:50, no Estação SESC Rio 2
Dia 11/10, às 21:30, no Estação SESC Botafogo 1

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