A Lume Filmes realiza, entre os dias 14 a 20 de junho, o II Festival Lume de Cinema. Na segunda edição do evento, que acontece em São Luís do Maranhão, serão exibidos mais de 100 filmes, a maioria ainda não lançada comercialmente e exibida apenas em mostras competitivas, homenagens, mostras paralelas e retrospectivas. Voltado ao cinema autoral e independente, o evento traz também palestras, debates, workshops e cursos.

Criado e coordenado pelo cineasta Frederico Machado, o festival exibirá filmes de vários cantos do mundo e das mais importantes distribuidoras internacionais, entre longas e curtas metragens.

Nas mostras competitivas, os destaques são a forte presença de filmes latino-americanos e brasileiros; o longa Crulic, animação romena dirigida por Anca Damian; Policeman, longa do israelense Nadav Lapid, vencedor da edição de 2012 do BAFICI; As Ondas, dirigido pelo espanhol Alberto Morais e vencedor dos prêmios de melhor filme e melhor direção no Festival de Moscou, e Without, longa do norte-americano Mark Jackson, premiado em vários festivais internacionais.

Um curso sobre a pornochanchada brasileira, ministrado pelo professor e pesquisador Adolfo Gomes, e uma retrospectiva com filmes do cineasta Claude Chabrol (morto em 2010), todos em formato 35mm, também fazem parte da programação.

O Festival acontece no ano em que a cidade de São Luís do Maranhão completa 400 anos de história. Estão previstos, ao longo do evento, shows, palestras, workshops e debates, sempre com a intenção de estimular e aprimorar o conhecimento, a discussão e a sensibilidade em torno do cinema.

Confira a lista completa de filmes selecionados.

Atividades paralelas

Curso: “Gostoso de ver: uma revisão da pornochanchada brasileira”
Ministrante: Adolfo Gomes

O curso pretende analisar a evolução do gênero no Brasil e sua contribuição para a afirmação de uma identidade nacional no cinema, traçando paralelo como o chamado “cinema explotation”, em desenvolvimento na Europa e EUA naquele período.

Será contextualizada a cena cinematográfica brasileira nos anos 1970; o exílio temático e físico dos cinemanovistas, a reação do cinema marginal e os pontos de contato e de tensão entre essas gerações. Apesar do caráter autoditada e intuitivo da maioria dos realizadores e técnicos envolvidos na produção das pornochanchadas, também emergiam desse ambiente alguns cineastas de perfil mais autoral, como Jean Garret, John Doo e Ody Fraga.

Ao mesmo tempo jovens, com sólida formação cinéfila e acadêmica encontravam no viés das pornochanchadas a chance de iniciar a prática cinematográfica. Caso, por exemplo, de Inácio Araújo, Carlos Reichenbach, Luiz Sergio Person, João Silveiro Tevisan, João Batista de Andrade, entre outros.

O curso visa problematizar essa questão, contrapor a sofisticação intelectual e cinéfila desse grupo ao vigor e liberdade formal dos demais realizadores. As influências, as possíveis vantagens, mas também a vampirização estilística decorrente dessa troca de experiências.

Serão exibidos filmes representativos do gênero e trechos de diversas obras relacionadas para exemplificar os temas e abordagens das aulas. O curso propõe uma troca de idéias e debates com os alunos sobre os modelos de produção do cinema no Brasil.

Período do Curso
De 15 a 18 de Junho de 2012
Local
Cine Praia Grande (Centro de Criatividade Odylo Costa Filho) – Centro
Carga horária
12 horas*Obs: Três horas de curso no decorrer de quatro dias.