(Shelter, EUA, 2010)

Suspense
Direção: Måns Mårlind, Björn Stein
Elenco: Julianne Moore, Jonathan Rhys Meyers, Jeffrey DeMunn, Frances Conroy, Nathan Corddry, Brooklynn Proulx, Brian Anthony Wilson, Joyce Feurring
Roteiro: Michael Cooney
Duração: 112 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Não há nada mais eficaz para causar medo do que lidar com aquilo que não conseguimos compreender de maneira racional. É com essa premissa que Identidade Paranormal, dos suecos Måns Mårlind e Björn Stein consegue fisgar a atenção do espectador.

A dubiedade causada por uma protagonista ao mesmo tempo temente a Deus e cética no que se refere a determinadas convenções sobre a variação da psiquê humana não só confunde como agrada logo de cara e prepara para aquele desafio que vai fazê-la rever tudo em que acredita. O desafio é David, um cadeirante paciente de seu pai que, ao mudar de personalidade, consegue andar e desenvolve daltonismo, entre outras coisas.

Ainda que esquemático e cheio de clichês, o filme se desenvolve bem e sabe trabalhar com o suspense. Abusando de cores escura, ambientes mal iluminados e close-ups nos momentos mais tensos, o clima de sufocamento é mantido até mesmo quando os personagens encontram-se em locais abertos e menos claustrofóbicos.

Porém, é no roteiro de Michael Cooney (Identidade) que está o ponto fraco do filme. Superficial na construção dos personagens secundários, o bom desenvolvimento da primeira metade do filme vai se perdendo gradualmente e resulta em uma solução fácil demais para o que fora construído até então. O surgimento de uma nova figura, completamente sobrenatural, e explicações que chegam gratuitamente transformam Identidade Paranormal em apenas mais um de tantos suspenses sobre a questão da fé humana.

O interessante é que nem mesmo a frustração causada consegue diminuir o impacto do que vemos na tela, mas deixar que o visual ou sensorial sobrelevem o enredo não é bem uma vantagem, ainda que funcione para situações em que a única vontade é ver um filme de suspense que o deixe nervoso até os últimos momentos.

O cuidado da parte técnica merece ser destacado, principalmente as fotografia de Linus Sandgren (Tempestade, dirigido pela dupla de suecos), direção de arte de Jesse Rosenthal (Rocky Balboa) e cenografia de Rebecca Brown (Inverno da Alma). Também merece destaque a atuação da ótima Julianne Moore (Magnólia), que sempre se dedica muito a qualquer papel que interprete. O mesmo não pode ser dito de seu companheiro de cena Jonathan Rhys Meyers (Match Point – Ponto Final), que está apenas satisfatório em um papel que renderia tantas variações.

Poderia ter sido melhor, mas é um daqueles filmes para ser assistido sem grandes pretenções, quando não há necessidade de se aprofundar em nenhum assunto e quando a única coisa que existe é aquela vontade de ver uma velha fórmula funcionando novamente.

Um Grande Momento:
A primeira entrevista.

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