(Blood Father, FRA, 2016)
Ação
Direção: Jean-François Richet
Elenco: Mel Gibson, Erin Moriarty, Diego Luna, Michael Parks, William H. Macy, Miguel Sandoval, Dale Dickey, Raoul Max Trujillo
Roteiro: Peter Craig (romance e roteiro), Andrea Berloff
Duração: 88 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Mais do mesmo. O novo filme estrelado por Mel Gibson, Herança de Sangue, segue a mesma trilha de tantas outras fitas de ação com protagonistas maduros. Tiros, perseguições, fugas e uma certa ressaca moral com o que se fez da própria vida.

No filme, dirigido pelo francês Jean-François Richet (Inimigo Público nº 1), Link é um ex-presidiário em condicional que largou o álcool, as drogas e sofre com o desaparecimento da filha, Lydia. Em paralelo a sua história conhecemos a filha desaparecida comprando munição para o namorado bandido em uma cena interessante, que critica a facilidade de acesso à armas nos Estados Unidos.

Com um desenrolar tradicional de filmes do tipo, onde eventos vão acontecendo até encaminhar a trama para o violento clímax, Herança de Sangue traz um diferencial prontamente identificável. Por mais que as escolhas dos personagens os tenham levados para um lugar desconfortável e perigoso, o filme não se presta a julgá-los. São escolhas particulares e suas consequências só dizem respeito a quem as tomou.

E isso se destaca ainda mais no tratamento à Lydia. Em um universo onde, infelizmente, até os dias atuais, impera o machismo, é muito agradável descobrir um roteiro que não se entrega aos usuais julgamentos e nem aos estereótipos de personagens femininas.

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Muito disso se deve, provavelmente, à presença de Andrea Berloff (Straight Outta Compton) no roteiro, adaptado por ela e Peter Craig (Jogos Vorazes: A Esperança) do romance escrito por ele. Afeita às fitas de ação, parece que Berloff tem hoje uma liberdade na criação. São pequenos detalhes que alteram anos de um modo negativo de retratar a mulher que não era sequer notado.

Mas o resto da construção de enredo não fica mais forte por isso. Há a mudança, há a melhora, mas o andamento esquemático, cheio de reviravoltas batidas e fracas justificativas não tem nada de original. Pelo contrário, o filme é bem clichê, não abrindo mão da presença de alguns personagens sempre vistos em filmes do gênero ou daquele final meloso.

Indo além do roteiro, temos Mel Gibson – sim, as ironias da vida – competente no papel do pai, Erin Moriarty como a jovem encrencada e pequenas participações de William H. Macy como o conselheiro amigo e Diego Luna como o namorado abusivo.

Herança de Sangue, em sua obviedade, funciona bem como filme de ação e, em sua diferença, traz a um gênero quase hermético, pouco dado a inovações, uma mudança que ultrapassa a tela do cinema ao demonstrar que tudo pode ser atualizado, já que os tempos são outros.

Um Grande Momento:
A identidade.

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