(Heleno, BRA, 2011)

Drama
Direção: José Henrique Fonseca
Elenco: Rodrigo Santoro, Alinne Moraes, Othon Bastos, Herson Capri, Angie Cepeda, Erom Cordeiro, Tizumbo, Orã Figueiredo, Henrique Juliano, Duda Ribeiro
Roteiro: José Henrique Fonseca, Felipe Bragança, Fernando Castets
Duração: 116 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Craque, boêmio, galã, mulherengo, temperamental e gênio. Essas eram palavras constantes nas histórias sobre Heleno de Freitas, o craque “problema” – o primeiro da história do futebol brasileiro – que foi ídolo do Botafogo na decada de 40 e ainda passou pelo Vasco, América e até Boca Juniors. Os gols e suas belas atuações foram muitos, mas as confusões e polêmicas foram igualmente numerosas.

Heleno parecia marcado por um destino cruel ou “azar”, como alguns diziam. A guerra tirou a chance de disputar as Copas de 42 e 46, justamente no auge de sua carreira e, além disso, ele nunca foi campeão com o Botafogo, o time que carregava no coração. Sua arrogância provavelmente foi o motivo de sua decadência. A promiscuidade e a certeza de que era maior que a vida, levaram-no a não se cuidar e pouco ligar para os conselhos dos médicos. Assim o jogador-advogado-galã teve um fim trágico, com a morte precoce aos 39 anos de idade, vítima da sífilis e internado num sanatório.

O diretor José Henrique Fonseca optou por fazer um filme mais poético do que biográfico, talvez numa tentativa de exaltar mais o homem do que o jogador de bola. É curioso que sejam tão poucos os momentos de jogos, quando se trata de um filme sobre um goleador. São muito mais constantes os affairs, as brigas com o time e os delírios.

O roteiro se aproveita da biografia conhecida de Heleno para seguir uma narrativa não-linear, contando a história com idas e vindas no tempo e, por vezes, deixando o espectador perdido no momento da história, tal qual o jogador em sua própria vida.

Há dois pontos que se destacam: a poesia do preto e branco e a atuação de Rodrigo Santoro. O desenho de produção aliado a fotografia belissíma de Walter Carvalho, recriam o Rio de Janeiro dos anos 40 de forma primorosa, aquele ar de Hollywood, com seus cassinos e cadillacs, é palco perfeito para o galã boleiro.

O Heleno retratado por Rodrigo Santoro é deslumbrante. Ele se entregou de tal forma, que chegou a emagrecer 12 quilos para ilustrar o jogador no final de sua vida. Quando aparece solitário em seus momentos de fúria é grandioso e poético. E não é menos quando contracena com seus companheiros de elenco, chegando a ofuscar a sem graça Alinne Moraes, que interpreta a única esposa do jogador, Silvia. Um pouco mais vivaz consegue ser Angie Cepeda, que encarna uma cantora latina e amante “fixa” do jogador e vale prestar atenção nas cenas de Santoro com o ator Tizumbo, que vive o enfermeiro do craque no sanatório. A sintonia alcançada pelos dois é admirável.

O filme demora a engrenar, focando sua primeira parte mais nos momentos fantasiosos do que a história em si. As imagens de jogo poderiam ter ganhado mais de destaque, ajudando no ritmo do filme e também presenteando os que vão assisti-lo em busca daquele futebol arte do goleador que impressionou Gabriel García Márquez, que escreveu várias crônicas ressaltando o notável talento e elegância do jogador em campo.

Mas Heleno não é um filme sobre futebol. É um filme sobre paixões: pelo futebol, por mulheres, pelos excessos, pela vida. A paixão dele pelo esporte, por vestir – e suar – a camisa do seu time, o Botafogo, era imensa, mas não foi maior que sua paixão por sugar cada gota de prazer que a vida tinha, deixando somente a tristeza.

O problema é que tanta tristeza não combina com a alegria que temos com o futebol, nossa paixão nacional. Isso faz de Heleno um filme difícil, depressivo. Tal qual foi ele próprio.

Ainda assim merece ser visto, pela plasticidade e pela a dedicação de Rodrigo Santoro.

Um Grande Momento

Os cinco minutos iniciais

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