(Gangs of New York, EUA/ALE/ITA/GBR/HOL, 2002)

Drama

Direção: Martin Scorsese

Elenco: Leonardo DiCaprio, Daniel Day-Lewis, Cameron Diaz, Jim Broadbent, John C. Reilly, Liam Neeson, Brendan Gleeson

Roteiro: Jay Cocks, Steven Zaillian, Kenneth Lonergan

Duração: 167 min.

Definitivamente, não consigo gostar deste filme. A primeira vez que assisti achei terrivelmente chato, americanalhado e sem propósito, mas, como muita gente que conheço gostou, tentei ver uma segunda vez. Também não gostei nem um pouco. Minha mãe, uma fã de Scorsese, elogiou muito o filme e ela é bem crítica. Resolvi que veria novamente, mas só quando passasse na tv, já que não gastaria mais nem um centavo com a produção.

Domingo passado ele passou na Globo e eu acabei parando tudo para assistir. A dublagem em português e os muitos minutos de propaganda fizeram a tortura ser ainda pior, mas resisiti até o fim. Confesso que uma coisa que eu esperava muito era ler a palavra “final” no começo de cada bloco.

Não entendo o que neste filme pode ter agradado tanto, a não ser a interpretação perfeita de Daniel Day-Lewis. Aliás, o único mérito que a produção tem é o de ter trazido o ator britânico de volta às telonas. E pára por aí.

O novo xodó de Scorsese, Leonardo DiCaprio, ainda não tinha conseguido chegar nem perto do que apresentou em Os Infiltrados e Diamante de Sangue e ainda tinha o agravante de contracenar com a péssima Cameron Diaz. Para mim, todas as cenas com os dois são tão ruins que chegam a me causar agonia. Isto me entristeceu muito, pois sempre dei muito crédito ao diretor por sua capacidade de dirigir atores.

Também não gostei da direção de arte que, apesar de ousada, gerou um visual poluído demais e nem tampouco da solução para a trilha sonora.

Outra coisa que me incomodou muito foi o final piegas a la Spielberg. Aquele esquema de que os estadunidenses superam tudo e assim conseguem construir uma cidade justa e multi-cultural.

Tudo isso mais a duração excessiva do filme, cenas descabidas, roteiro perdido, violência explícita e sem pausas e diálogos inconsistentes fazem deste filme pra mim uma das maiores decepções da carreira do diretor que sempre figurou e figura até hoje na minha lista dos melhores do mundo.

Uma das coisas que tenho ouvido falar é que o Oscar do ano passado, por Os Infiltrados teria sido uma compensação pelas estatuetas não recebidas, inclusive por este filme e O Aviador. Concordo que seja um absurdo que ele não tenha sido premiado por filmes como A Época da Inocência e Touro Indomável, mas pelos dois últimos? O Oscar demorou sim, mas chegou em um momento justo. Além de premiar um excelente filme trouxe consigo a mensagem de “que bom Scorsese, depois de duas derrapadas feias, você voltou!”

Voltando ao Gangues, o filme, um projeto muito antigo do diretor, tem boa intenção como cinema, mas não chega nem na metade do caminho. Vale pelo açougueiro Day-Lewis, mas nem a atuação histórica consegue algum resultado.

Um Grande Momento

A última cena do filme que contrasta um antigo cemitério com o desenvolvimento da metrópole.



Prêmios e indicações
(as categorias premiadas estão em negrito)

Oscar: Filme, Direção, Roteiro Original, Ator (Daniel Day-Lewis), Direção de Arte (Dante Ferretti, Francesca Lo Schiavo), Fotografia (Michael Ballhaus), Figurino (Sandy Powell), Edição (Thelma Shoonmaker), Canção (“The Hands that Built America”, U2), Som (Tom Fleischman, Eugene Gearty, Ivan Scharrock)

BAFTA: Filme, Direção, Roteiro Original, Ator (Daniel Day-Lewis), Fotografia, Figurino, Edição, Maquiagem (Manlio Rocchetti, Aldo Signoretti), Cenografia (Dante Ferretti), Efeitos Especiais (R. Bruce Steiheimer, Michael Owens, Edward Hirsh, Jon Alexander), Som

César: Filme Estrangeiro

Globo de Ouro: Filme de Drama, Direção, Ator (Daniel Day-Lewis), Atriz Coadjuvante (Cameron Diaz), Canção (“The Hands that Built America”, U2)

MTV Movie Awards: Beijo (Leonardo DiCaprio e Cameron Diaz), Vilão (Daniel Day-Lewis)

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