(Futuro Junho, BRA, 2015)

Documentário
Direção: Maria Augusta Ramos
Roteiro: Maria Augusta Ramos
Duração: 100 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Em junho de 2013, os brasileiros ganharam as ruas. O protesto, que começou motivado pelo preço das passagens em diversas capitais brasileiras, ganhava um novo alvo, a Copa do Mundo que seria realizada no país. Gastos absurdos com construção de estádios e obras de infraestrutura incomodaram e tiraram várias pessoas de dentro de casa. Com grande influência da mídia convencional e das mídias sociais, o momento era de pessimismo generalizado.

Futuro Junho, novo documentário da diretora Maria Augusta Ramos (Morro dos Prazeres) fala sobre esse momento social. Na abertura do filme temos contato com transações da bolsa de valores. O jargão utilizado para as transações é o que dá o nome ao filme.

Ramos conta sua história por meio de personagens: o dono de uma financeira e especialista em economia, um motoboy, um metalúrgico e um líder sindical do Metrô de São Paulo.

Tendo São Paulo como pano de fundo e principal elo entre aqueles que acompanhamos, há uma construção eficiente nas diferenças entre cada um deles, composta por conversas com colegas, momentos familiares e demonstrações mais claras de prioridades. Ramos não usa cabeças falantes, aquele modelo de entrevistas que possivelmente esvaziariam o conjunto, ao contrário, opta por acompanhar o dia-a-dia de cada um de seus personagens.

Com boas imagens dos diretores de fotografia Lucas Barbi (Teobaldo Morto, Romeu Exilado) e Camila Freitas (Uma), algumas mais preocupadas com a composição daquelas pessoas que acompanharemos do que com a adequação estética, e uma edição precisa de Karen Akerman (O Lobo Atrás da Porta), o filme vai contrapondo pontos de vista e expectativas.

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Dentre tudo que se vê, destaca-se a incerteza pelo futuro. Indo muito além do evento esportivo que se realizará em junho do ano seguinte e das manifestações que acontecem, estão os constantes medos do acidente, do desemprego ou da previsão errada. Para sobreviver a ele, o rap, o futebol da firma, a cerveja com os amigos, um concerto.

Ramos tira o foco da copa do mundo, daquele futuro junho, para mostrar um presente que, embora diferente pelas manifestações que tomam as ruas e pelo trânsito causado pelas greves, segue sem mudanças, com as mesmas diferenças e exclusões de sempre. Ela até chega ao momento, mas apenas para confirmar aquilo que as passagens deixaram claro com relação à sociedade local.

Apesar da boa distribuição e da competente criação deste jogo de expectativas, há um certo incômodo na escolha de um dos personagens, muito relacionado a uma luta específica e com objetivos e destinos que, apesar de estar relacionado ao todo, como qualquer um estaria, não se encaixa muito bem. Como uma peça que sobra e talvez ficaria melhor encaixada em um outro filme.

Mas nada que comprometa a reflexão trazida por Futuro Junho, um dos poucos documentários nacionais a usar com relevância os acontecimentos de junho de 2013, tornando-os pano de fundo para a discrepância social que assola o país.

Um Grande Momento:
Convênio funerário.

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