36ª MostraAnimação
Direção: Tim Burton
Roteiro: Leonard Ripps (curta-metragem), John August
Duração: 87 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆
(Frankenweenie, EUA, 2012)

Em 1984, Tim Burton apresentou à Disney um de seus curtas-metragens. Frankenweenie era sobre um menino que não aceitava a morte de seu cãozinho de estimação e o trazia de volta à vida. O filme seria apresentado junto com o relançamento da clássica animação Pinóquio, mas não agradou às crianças nas audiências de teste e acabou custando o contrato da produtora com o diretor. Muitos anos depois, ele assinaria novamente com a companhia para dirigir uma versão psicodélica de Alice no País das Maravilhas e, de quebra, teria a chance de transformar seu curta sobre o cachorrinho em um longa de animação.

Os atores de antes, incluindo Daniel Stern, Shelley Duvall e o jovem Barret Oliver, deram lugar à animação stop-motion, onde bonecos de massinha são movimentados e fotografados quadro-a-quadro, e a história, apesar de seguir a premissa básica, foi incrementada com novas tramas e muito mais ação para dar conta dos seus 87 minutos.

Victor perde seu cachorrinho Sparky em um atropelamento e, depois de uma aula de ciências sobre eletricidade, resolve tentar trazê-lo de volta à vida, com sucesso. Como é época de feira de ciências, seus colegas resolvem tentar o mesmo com seus animais de estimação mortos ou com qualquer coisa sem vida que encontrem pela frente.

Com uma aura b, lá dos tempos de Ed Wood, Tim Burton faz aqui uma das mais interessantes homenagens ao cinema clássico de terror. Passando pelos primórdios com citações visuais a O Gabinete do Dr. Caligari e Nosferatu e chegando a títulos que fizeram a história desse gênero no cinema, como A Múmia, O Vampiro da Noite, A Noiva do Frankenstein e alguns mais modernos como Gremlins ou com monstros mais assustadores, especialidade dos orientais, como Gamera.

E se o cinema é de terror, o próprio diretor não poderia ficar de fora. Fã confesso do gênero e dono de uma filmografia gótica, que consegue ser encantadora e sombria na mesma medida, Burton criou um mundo próprio com suas animações A Noiva Cadáver e O Estranho Mundo de Jack ou com filmes como Os Fantasmas se Divertem. Mundo este que ele faz questão de citar em seu Frankenweenie e ir além. Como Victor faz com seu Sparky, ele desenterra aquele curta que não deu certo e o traz de volta à vida, recauchutado. Autorreferência maior do que essa vai ser difícil encontrar.

A sensação de familiaridade com aquela cidade e aqueles personagens e uma certa consciência das pequenas histórias que compõe a grande história aumentam o vínculo e a nostalgia do espectador, que vai voltar a um Tim Burton pré-Johnny Depp e pré-Helena Bonham Carter, embalado pela trilha de Danny Elfman e percebendo em pequenos detalhes e algumas marcas registradas, uma paixão pelo cinema inquestionável.

O que seria uma qualidade acaba virando um problema. A história de Frankenweenie até flui com naturalidade e consegue tocar os pequenos, mas agrada muito mais aos adultos, justamente por essa memória cinematográfica de um gênero específico, ou pelo vínculo prévio com a obra de Tim Burton, que as crianças não têm. Além disso, o filme apresenta problemas típicos de um curta-metragem que foi aumentado, alternando demais o ritmo e com um final enfraquecido por sequências prévias.

Mas, problemas à parte, em toda sua bizarrice e candura, ainda é um bom programa. Principalmente para aqueles que vão passar o filme identificando figuras icônicas como Vincent Price (ídolo do diretor), personagens marcantes como o fiel mordomo daquele vampiro e nomes que dizem tanto, como o da vizinha ou o da tartaruga de estimação, entre muitas outras referências.

Um Grande Momento

A transformação do Sr. Whiskers.

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