(Jin líng shí san chai, CHN/HGK, 2011)

Drama
Direção: Yimou Zhang
Elenco: Christian Bale, Paul Schneider, Ni Ni, Xinyi Zhang, Tong Dawei, Atsurô Watabe, Tianyuan Huang, Shawn Dou, Yuan Nie, Shigeo Kobayashi, Bai Xue, Takashi Yamanaka, Kefan Cao
Roteiro: Geling Yan (romance), Heng Liu
Duração: 146 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Zhang Yimou se tornou um cineasta previsível. Desde Lanternas Vermelhas, quando chamou a atenção do mundo com a sua habilidade visual, a obra do diretor chinês afunda-se cada vez mais no melodrama fácil, numa talvez tentativa de arrebatar o público ocidental como já conseguira também com O Clã das Adagas Voadoras. Mas além de toda plasticidade e de imagens realmente fantásticas, filmes como A Maldição da Flor Dourada e A Árvore do Amor acabam ficando marcados pelo dramalhão excessivo e uma coleção de clichês hollywoodianos que pouco se associam a obras orientais.

Flores do Oriente talvez chegue para coroar a ocidentalização da obra de Yimou, apesar do pano de fundo. O filme volta à história real do Massacre de Nanquim, quando tropas japonesas invadiram a então capital chinesa, matando e estuprando civis que estavam no local. Em meio à barbárie, uma igreja católica é o único lugar onde a guerra não pode entrar. Lá, um agente funerário americano se junta a um grupo de jovens estudantes e um órfão. Mais tarde um grupo de prostitutas vai se juntar ao grupo.

Os personagens são desenvolvidos para justificar o apelo emocional de cada um deles. Muita culpa vem sempre acompanhada de muita redenção e as passagens, quase nunca críveis, são carregadas de pieguismo e previsibilidade. O incômodo das ações é acompanhado pelo do visual estonteante, que tenta ser poético mesmo em cenas que não passam perto de lirismo algum.

Entre as atuações, Christian Bale (Batman – O Cavaleiro das Trevas) não vai além do adequado, embora assuma uma postura corporal conveniente a seu John, o agente funerário disfarçado de padre. Ni Ni, que vive a prostituta Yu Mo, consegue incorporar toda a aura sedutora de sua personagem e rouba as cenas com seu encanto e beleza. No elenco mais jovem, o destaque fica com o novato Tianyuan Huang, que dá vida ao jovem órfão George.

Tecnicamente, o filme surpreende. Tanto pela fotografia de Xiaoding Zhao (A Maldição da Flor Dourada), velho companheiro de Yimou; como pelo competente trabalho de recriação da época, do desenhista de produção Yohei Taneda (Kill Bill – Volume 1), do cenógrafo Yoshihito Akatsuka (Babel), e dos figurinistas William Chang (Amor à Flor da Pele) e Graciela Mazón (Um Drink no Inferno).

Mas infelizmente, embora se baseie em uma história com tanto a ser explorado e tenha inegáveis qualidades técnicas e visuais, Flores do Oriente acaba se perdendo nas inúmeras tentativas de levar o público às lagrimas. Talvez funcione para os que gostam mesmo de um melodrama, mas qualquer um que queira um pouco mais tem grandes chances de se decepcionar.

Fato que Zhang Yimou tem qualidades inegáveis mas, com seus últimos títulos, acaba se juntando à lista de diretores-pintores rasos, como Tarsem Singh (A Cela). Ambos compartilham uma impressionante capacidade visual, mas se perdem em suas próprias imagens e deixam a história que contam em segundo plano, rendendo-se a fórmulas hollywoodianas batidas e mais comerciais do precisavam ser. Uma pena.

Um Grande Momento

A chegada das prostitutas.

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