(Flocken, SWE, 2015)

Drama
Direção: Beata Gårdeler
Elenco: Fatime Azemi, Eva Melander, John Risto, Jakob Öhrman, Henrik Dorsin, Mattias Kågström, Malin Levanon
Roteiro: Emma Broström, Geir Hansteen Jorgensen
Duração: 110 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

Ser mulher em um mundo machista. Todas as dificuldades, preconceitos e discriminações são conhecidas por quem nasceu com um gênero tido socialmente como inferior e, por pré-determinação, destinado a satisfazer os anseios dos seres do gênero dominante.

O assunto, velado até pouco tempo, tem ganhado as discussões mundo afora e também tem seu destaque no Brasil, seja por causa de um homem que, escondido sob o manto do excesso de álcool, desmerece uma colega da mesma profissão; seja por um congresso resolve decidir o destino de todas as mulheres, ou um grupo de homens acha normal desejar sexual uma criança exposta em um reality show.

É bom que o tema esteja sendo tratado depois de tantos séculos de olhos fechados para a questão. É bom que, depois de muita luta e algumas conquistas, hoje em dia as mulheres tenham voz para denunciar os abusos sofridos e possam se unir novamente para tentar melhorar ainda mais as coisas.

A diretora Beata Gårdeler faz isso com o seu Flocking. Em um país como a Suécia, conhecido por sua misoginia, é fundamental contar histórias como a de Jennifer, uma adolescente estuprada por seu namorado, mas que não encontra qualquer amparo na sociedade onde vive desde sempre.

O começo do longa-metragem demonstra a interação de uma comunidade, onde todos são amigos de todos. Até que a jovem Jennifer denuncia o abuso sofrido. A partir de então, ela passa a ser excluída e automaticamente passa a ser culpada pela agressão.

A dinâmica é conhecida por todos: se aconteceu, aconteceu porque ela deixou; ou porque fez alguma coisa que deixou claro o seu consentimento; falou “não”, querendo dizer “talvez”. É a violência vivida por todas as mulheres, a culpa incutida, desde a primeira infância, na cabeça de todas elas.

Com poucas palavras, o filme vai crescendo na angústia de Jennifer e no asco pela rejeição e falta de amparo que cercam a menina. A premissividade dos homens, a intolerância das próprias mulheres que compõe aquela sociedade, a ciência de todo o acontecido e as desculpas dadas por todos são de embrulhar o estômago. Pelo menos o estômago de uma mulher.

E o pior é ver a continuidade de tudo. É saber que as coisas eram assim antigamente, continuam assim até hoje e tem poucas possibilidades de mudar. A não ser que se fale muito do assunto, que se discuta a liberdade individual independente do gênero e que conscientize a sociedade de que as relações, como estabelecidas, estão erradas.

É justamente por tentar fazer isso que o filme é grande. Por fazer aquilo que é necessário para demonstrar como se constroem as relações acerca do ser feminino, como as separações estão firmemente estabelecidas pelo que há de pior, como o ser humano é um ser problemático, separatista e digno de pouca esperança.

Que isso mude no mundo das minhas netas. Que elas tenham o direito de fazerem suas próprias escolhas e serem respeitadas por elas.

Um Grande Momento:
A advogada de defesa.

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