(Fiel, BRA, 2009)

Documentário
Direção: Andrea Pasquini
Roteiro: Marcelo Rubens Paiva, Serginho Groisman
Duração: 92 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆
Antes de mais nada quero dizer que este comentário vai especialmente para minha queridíssima amiga Jessica, corinthiana de coração, que pediu minha opinião sobre o filme logo após o lançamento. Claro que outros corinthianos amigos foram lembrados também, viram Jeise Luna, Ana ‘Giga’ Paula e Denys?

E este monte de nomes de pessoas importantes seria a única coisa que me convenceria a entrar no cinema para conferir Fiel, na verdade. Quem me conhece sabe que eu sou tão tricolor, tão louca pelo meu Fluminense, que chego a vibrar mais com ele do que com a seleção brasileira e não perderia o meu tempo com filmes que não fossem sobre ele.

Mas já que eu ia, melhor esperar por uma viagem para São Paulo para sentir o clima da torcida. A sala estava lotada. Muitos homens, três mulheres (comigo) e algumas crianças esperavam ansiosamente o início do filme. Dava até para sentir o entusiasmo e a ansiedade no ar.

Logo nos primeiros momentos vi que o meu preconceito “timístico” me faria deixar de conhecer um filme bem emocionante. Não só pela história de sofrimento e redenção, mas por ser algo que fala tão alto à maioria dos brasileiros. Querendo ou não, o futebol é emocionante e ver a dedicação de uma torcida ao seu time é ainda mais.

A relação, considerada doentia por muitos, é muito forte. Eu lembro que logo depois da minha primeira cirurgia do câncer o Fluminense foi campeão da Copa do Brasil e eu nem podia falar direito, mas estava na rua comemorando com a minha bandeira.

E assim como comemorei, chorei e sofri na fatídica final da Taça Libertadores em julho do ano passado e quando parecia que o time não pararia mais de cair. Cada uma dessas dificuldades fez com que a paixão só aumentasse, assim como o respeito por sua torcida, que não deixou de estar presente nem em campos onde a grama era só uma lembrança.

Eu sei que não é da torcida do Fluminense que estamos falando, mas é este mesmo sentimento o motor principal do documentário e a torcida paulista, fiel como o título, a beleza do filme.

Quem viu a reação da massa no estádio Olímpico em dezembro de 2007, ao apito final do juiz e a realidade do rebaixamento, sabe muito bem do que eu estou falando. O time derrotado e a torcida cantando “eu nunca vou te abandonar…” entre lágrimas é uma das cenas mais bonitas dos campeonatos brasileiros e demonstra o amor destas pessoas pelo time.

O documentário é a terceira produção do G7 Cinema, que já retratou momentos dos clubes gaúchos Grêmio e Internacional. Com roteiro de Serginho Groisman e Marcelo Rubens Paiva, o filme costura momentos de jogos com depoimentos de torcedores.

O filme está muito mais para apaixonado do que para pretensioso, como andam dizendo, e claramente foi feito pensando em um público específico, que sai bem feliz das salas de projeção. Lógico que palmeirenses e são paulinos verão um filme totalmente diferente, se algum dia virem.

Mas, além da paixão, é um título curioso para demonstrar essa relação torcida-clube tão presente na nossa cultura, onde o futebol tem um lugar de destaque.

Indicado para quem gosta de documentários esportivos e se interessa por história do futebol.

Implicando um pouco, porque sou tricolor das Laranjeiras, acho que os flamenguistas até poderiam dar uma passadinha pelo cinema. Quem sabe assim eles não aprendem que torcida de verdade conhece muito bem o futebol e é aquela que acompanha o time onde quer que ele vá, principalmente se ele passa por momentos ruins.

Um Grande Momento

O momento do rebaixamento.

Fiel

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