(Faroeste Caboclo, BRA, 2013)

Drama
Direção: René Sampaio
Elenco: Fabrício Boliveira, Isis Valverde, Felipe Abib, Antonio Calloni, Marcos Paulo, Cinara Leal, Rodrigo Pandolfo, Juliana Lohmann, Léo Rosa, César Troncoso
Roteiro: Renato Russo (estória), Marcos Bernstein, José Carvalho, Victor Atherino
Duração: 100 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Muita gente parou para cantarolar, prestar atenção e tentar decorar a letra de “Faroeste Caboclo”, sobre João de Santo Cristo, um nordestino que foi por acaso para Brasília e lá virou traficante de drogas. Com mais de nove minutos de duração, a canção, composta muitos anos antes em um projeto individual de Renato Russo, se destacava entre as músicas lançadas no LP da banda Legião Urbana, Que País É Esse? (19781987), de 1987, pela história elaborada que contava. A saga de João desde os primeiros momentos tinha cara de filme.

Demorou um pouco, mas finalmente uma adaptação da história chega aos cinemas. O fato de ser tão conhecida é, ao mesmo tempo, facilitador e complicador. É uma história que todos queriam ver, mas que todos conhecem e, por isso, já é cheia de versões individuais por aí. Quem assumiu o desafio de levá-la às telonas foi René Sampaio. Estreante em longas-metragens, o diretor brasiliense tem uma consistente carreira publicitária e três curtas em sua filmografia. Entre eles, o premiado Sinistro.

Trabalhando em cima de um roteiro de Marcos Bernstein, José Carvalho e Victor Atherino, Sampaio acerta ao contar sua história em flashback, revelando de início o que todos já sabiam que aconteceria, e ao levar às telas uma espécie de homenagem baseada na música, sem querer ser mais literal do que necessário, o que impossibilitaria o fluir do filme, e sem inventar demais, respeitando a memória coletiva da música.

Entre muitas experimentações de planos, várias referências visuais a grandes clássicos de faroeste e cenas de ação bem trabalhadas, o filme vai se construindo de maneira eficiente e envolve o espectador. O trabalho dos atores facilita esse envolvimento. À vontade em seus papéis, Fabrício Boliveira, Isis Valverde, Felipe Abib, Antônio Calloni e César Troncoso se destacam no elenco, tanto pela importância dos seus personagens, quanto pela entrega.

Apesar de quase tudo no lugar, o roteiro apela vez ou outra para uma narração em off nem tão necessária assim e não se acerta ao querer fazer uma conexão meio forçada com o compositor da canção e nem ao não resistir a algumas reafirmações óbvias do que já estava subentendido. Mas os problemas vão diminuindo à medida que a ação e a dinâmica entre o casal de protagonista vai tomando conta da trama.

Aliás, é na relação entre Maria Lúcia e João que estão os diálogos mais inspirados e uma das construções de plano mais legais do filme, usando as formas geométricas quadradas e perfeitamente iguais de Brasília. A Capital Federal, como não poderia deixar de ser, está muito presente e faz o filme ainda mais especial para aqueles que conhecem bem a cidade.

Depois de anos esperando uma versão audiovisual, a música de Renato Russo realmente se concretiza nas telas, funcionando em sua reinvenção e dando vida ao mito de João de Santo Cristo. É como se ouvíssemos uma história muito conhecida vista pelos olhos de outra pessoa, mas que relembra alguém que conhecemos há muito tempo.

Com certeza, vale a ida ao cinema.

Um Grande Momento:
Pedir a mão.

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