(Snowpiercer, KOR/CZE/EUA/FRA, 2013)

Ficção Científica
Direção: Bong Joon-ho
Elenco: Chris Evans, Song Kang-ho, Ed Harris, John Hurt, Tilda Swinton, Jamie Bell, Octavia Spencer, Ewen Bremner, Ko Ah-sung, Alison Pill, Luke Pasqualino, Vlad Ivanov, Adnan Haskovic
Roteiro: Jacques Lob, Benjamin Legrand, Jean-Marc Rochette (HQ), Kelly Masterson, Bong Joon Ho
Duração: 126 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

A primeira coisa que Expresso do Amanhã deixa clara é a criatividade com que aquele universo ganha a tela. Baseado na história em quadrinhos francesa “Le Transperceneige”, o filme cria uma alegoria para falar sobre a divisão social, que exclui os mais fracos e enaltece os mais ricos.

A história é a seguinte, ao tentar corrigir o aquecimento global, um grupo de cientistas atira uma nova substância na atmosfera. Porém, acaba provocando uma nova era glacial que extingue toda a vida na Terra. Os únicos sobreviventes são aqueles que estão embarcados em um moderno e veloz trem autossuficiente, que dá a volta ao globo sem nunca parar. Há 17 anos no começo do filme.

Nessa nova arca de Noé, a diferença social é bem demarcada na divisão dos vagões. Enquanto na frente está o criador da máquina, nos vagões seguintes estão aqueles mais abastados que não parecem fazer muito mais coisa além de se divertir. No último vagão, estão aqueles que não têm nada, tratados com violência e desrespeito, devem saber o seu lugar e agradecer seu benfeitor.

A criatividade já está sobrando na história contada e na abordagem a temas reais e conhecidos do mundo moderno, mas fica ainda mais evidente em todos o universo visual imaginado pelo diretor sul-coreano, Bong Joon-ho, conhecido pelo apuro técnico e grande capacidade de manipulação de sensações para abordar temas espinhosos como esse.

Depois do sucesso internacional com Mother – A Busca pela Verdade, Expresso do Amanhã é sua primeira experiência em língua inglesa. Joon-ho mantém alguns de seus atores, como Song Kang-ho e Ko Ah-sung, que estiveram presentes no também bem sucedido O Hospedeiro.

Além deles, o elenco conta com Chris Evans (Capitão América: O Primeiro Vingador), em um trabalho muito interessantes, que não explora seus dotes físicos; Tilda Swinton (Precisamos Falar Sobre Kevin), irreconhecível uma das ministras do local; Ed Harris (A Rocha) e John Hurt (V de Vingança); Alison Pill (Meia-Noite em Paris); Jamie Bell (Billy Elliot) e Octavia Spencer (Histórias Cruzadas).

Com uma boa história e um controle efetivo sobre seus atores, o diretor tem tempo de sobra para impressionar com seu microuniverso complexo, onde encontra espaço para esbanjar nas invenções audiovisuais.

Além da recriação do mundo congelado, a direção de arte do filme – assinada por Ondrej Nekvasil e Stefan Kovacik, que já estiveram juntos em O Ilusionista, e com cenografia de Beatrice Brentnerova, mais conhecida por seus trabalhos na tv – tem a possibilidade de criar uma grande quantidade de espaços completamente diversos entre si. Se a organização do último vagão já chama atenção, o deslumbre vai aumentando a medida que novas portas são abertas. Tudo auxiliado pela trilha sonora de Marco Beltrami (Pânico) e pelas experiências do diretor de fotografia Hong Kyung-pyo (A Irmandade da Guerra).

Apesar de algumas facilidades do roteiro, uma conclusão confusa e descuidos com detalhes bobos, mas que são percebidos, Bong Joon-ho tem tudo sob controle e trabalha bem com a junção dos elementos para criar e manter a tensão. Claustrofóbico e urgente, o filme vai se desenvolvendo bem e não tem pudores de se entregar a uma violência bem acima da aceitável ou ao melodrama. Tudo acontece de forma muito funcional.

Além de comprovar toda a qualidade do diretor como cineasta, Expresso do Amanhã cumpre muito bem o seu papel de entreter, grudando o espectador nas cadeiras para ver um filme que mistura tantos gêneros – ficção científica, ação, fantasia, drama – e fala sobre algo que vemos todos os dias, mas preferimos desviar o olhar.

Um Grande Momento:
A batalha no escuro.

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