(Exodus: Gods and Kings, GBR/EUA/ESP, 2014)

Aventura
Direção: Ridley Scott
Elenco: Christian Bale, Joel Edgerton, John Turturro, Aaron Paul, Ben Mendelsohn, María Valverde, Sigourney Weaver, Ben Kingsley
Roteiro: Adam Cooper, Bill Collage, Jeffrey Caine, Steven Zaillian
Duração: 150 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Recontar histórias bíblicas sempre foi um meio de fazer bilheteria. Neste ano, dois filmes grandes voltaram às escrituras: Noé e esse Êxodo: Deuses e Reis. O primeiro, que contava a história do escolhido para salvar a humanidade depois do grande dilúvio, não fez muito sucesso pelas liberdades poéticas tomadas por seu diretor. O Segundo não teve esse problema e acertou em cheio, apesar de sutilmente ser muito mais crítico do que o outro.

Em seu filme, Ridley Scott (Prometheus) trata Deus como uma criança rancorosa e sem medidas, justamente pela pouca idade. Talvez é a única coisa que explicaria a transformação do Deus cruel do primeiro testamento no Deus bondoso e cheio de piedade do segundo testamento: a chegada da maturidade.

Além disso, Scott apronta na hora de contar a relação de Moisés com Deus. Com muitos dos eventos explicados por fenômenos naturais, inclusive didaticamente por um dos personagens do filme, os encontros do profeta com o Todo Poderoso acontecem em situações suspeitas e põe em dúvida a sanidade do líder hebreu.

É nessas pequenas liberdades que o longa-metragem ganha algum fôlego, porque Scott se perde completamente na distribuição de sua história e no ritmo com que resolve contá-la. Primeiro, se prolonga demais em Moisés como sobrinho do faraó e sua vida no Egito. Mesmo sem se aprofundar nas relações, há muitas cenas inúteis e uma demora incompreensível para que o profeta seja preso e revelado como hebreu.

Para piorar a sensação de lentidão, todo o resto da história é contado com uma velocidade impressionante. É o caso das sete pragas do Egito, que vão aparecendo na tela uma atrás da outra, sem dar muito tempo para qualquer associação ou pensamento mais prolongado. Os 40 anos no deserto também são assim: perseguição frenética no Mar Vermelho, pausa para pegar a mulher no caminho, pausa para os dez mandamentos, ele envelhece e é isso.

A superprodução também perde a mão no desenho de produção. Assinado por Arthur Max (O Gladiador e O Gângster), tudo na tela está muito mais exagerado do que já vimos em seus trabalhos anteriores.

Ainda que se justifique pela história épica que embala, e mesmo que mescle em suas inspirações filmes bíblicos antigos e sons modernos, a trilha sonora de Alberto Iglesias (O Espião Que Sabia Demais) também não é muito bem utilizada.

Essa falta de medida e de ritmo, já que não há um equilíbrio entre o que acontece na tela, compromete o longa-metragem, que seria muito mais interessante se Êxodo: Deuses e Reis conseguisse ficar na dubiedade da divindade da escolha de Moisés.

Um Grande Momento:
Na gruta com Ele.

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