(I Love You, Man, EUA, 2009)

Toda comédia romântica , boa ou ruim, tem um procedimento básico padrão, aquela mesma receitinha de bolo que apesar de ser conhecida à exaustão, ainda chama a atenção de quem assiste ao filme. Principalmente a parte feminina da audiência.

A coisa, com algumas pequenas modificações de um título para o outro, funciona mais ou menos assim:

  1. X precisa encontrar alguém, pois passa por um momento infeliz ou solitário e encontra acidentalmente Y. (No castigo da escola, pegando carona para uma viagem, tendo um infarto na casa da mãe da namorada.)
  2. Y também passa por um momento de vida onde essa pessoa pode se tornar importante. (Planejando uma vingança contra o ex-noivo, superando o coma do irmão, dirigindo uma peça teatral.)
  3. X tenta estabelecer uma relação com Y. (Mandando uma carta com um encontro no dias dos namorados, ouvindo o que ela pensa de sua campanha publicitária, cantando “Can’t take my eyes off of you” durante o treino de futebol.)
  4. X e Y se envolvem, passam alguns bons momentos juntos e, às vezes, têm direito a um clipe com os melhores momentos. (Comprando roupas na Madison Avenue, comendo ratos e brincando pelos campos ao som de um burro falante, mentindo para alugar uma cobertura.)
  5. Mas alguma coisa dá errada e eles se separam. (Descobrindo uma aposta por uma campanha publicitária e uma matéria, vendendo um conjunto popular de apartamentos, destruindo a fita de vhs e o diário que lembram o dia anterior.)
  6. Eles ficam tristes e, mesmo longe, não conseguem parar de pensar um no outro (Vendo passar as estações em um feira em Notting Hill, sendo mascote-alvo em jogos de hoquéi, conhecendo uma loja de peças de vidro com o avião dele na frente.)
  7. X e Y se reencontram e são felizes para sempre. (Buscando os filhos no acampamento de férias, beijando na neve com uma calcinha de oncinha, escrevendo um texto enorme na areia.)

Alguns títulos optam por contar a história pulando algumas partes, começando depois da separação, por exemplo, e outros invertem a ordem das coisas, mas as sete regrinhas básicas alcançam o seu objetivo e causam muitos suspiros por aí.

A coisa mais legal de Eu Te Amo, Cara! é que o filme brinca com esse grande clichê do cinema ao usar essa mesma fórmula para uma relação que nunca precisa de muita atenção.

O corretor de imóveis Peter Klaven está apaixonado por sua namorada e a pede em casamento. Tudo é só alegria, até que ele percebe que não tem nenhum companheiro para convidar para ser seu padrinho de casamento. O único jeito de resolver o problema é arrumar um amigo de verdade, mesmo que seja de última hora.

Por acaso, em uma visitação à casa de Lou Ferrino, à venda, ele conhece Sydney Fife, um típico solteirão desengonçado e esquisito, que adora Rush, tacos de peixe e roupas muito estranhas.

A colagem de cenas comuns em comédias românticas com um pano de fundo tão inesperado torna tudo diferente, mesmo que tão igual e provoca boas gargalhadas durante o filme. Está tudo lá: as amigas que torcem para tudo dar certo, a primeira e nervosa ligação, a prova de roupas, os outros pretendentes e até um passeio de vespa.

Outra coisa muito interessante vem com um personagem secundário. Por um lado temos um Peter completamente feminino em alguns aspectos e a rotulação automática e preconceituosa é de que ele é uma “bicha”. Mas então conhecemos Robbie, irmão do protagonista, homossexual assumido, muito bem resolvido com a família e sonho de muitos gays. É aquele negócio, enquanto o afeminado namorou todas e é hetero, o machão é homo e quem vê o filme é obrigado a rever os seus conceitos.

Toda essa brincadeira acaba envolvendo muito os espectadores, que não se incomodam em acompanhar as fases desse relacionamento, mesmo sabendo o que pode acontecer na próxima cena.

A participação dos atores é fundamental para isso. Os protagonistas Paul Rudd e Jason Segel já acostumados a trabalhar juntos depois de Ressaca de Amor e Ligeiramente Grávidos estão muito confortáveis no papel e ainda recebem uma boa ajuda dos coadjuvantes Jon Favreau, Andy Samberg e Joe Lo Truglio.

As músicas do filme são divertidas, mesmo sendo óbvias, e ganham muito com as interpretações de clássicos do Rush pelos próprios atores.

Mas, como era de se esperar, alguns problemas de percurso acontecem. O pior deles, para mim, é a inconstância do ritmo. Enquanto o começo é bem desenvolvido, o final, apressado demais, não consegue manter a pegada. Ou seja, nem todas as tais regrinhas citadas não são homogêneas

E o filme termina deixando aquele gostinho de que poderia ter sido melhor, mas cumpre bem o seu papel de entreter e não deixa de ser uma boa escolha para aqueles dias em que a vontade é rir, pois divertido é, sem nenhuma dúvida.

Quem gosta de “trocadalhos do carilho” vai se divertir.

Um Grande Momento

A primeira ligação.

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Comédia
Direção: John Hamburg
Elenco: Paul Rudd, Jason Segel, Rashida Jones, Sarah Burns, Jaim
e Pressly, Jon Favreau, Jane Curtin, J. K. Simmons, Andy Samberg, Rob Huebel, Joe Lo Truglio
Roteiro
: John Hamburg, Larry Levin
Duração: 105 min.
Minha nota: 7/10