(Suicide Squad, EUA, 2016)
Ação
Direção: David Ayer
Elenco: Margot Robbie, Will Smith, Viola Davis, Jared Leto, Cara Delevingne, Joel Kinnaman, Ike Barinholtz, David Harbour, Robin Atkin Downes, Shailyn Pierre-Dixon, Jim Parrack, Jai Courtney, Ezra Miller, Jay Hernandez, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Adam Beach, Karen Fukuhara, Ben Affleck
Roteiro: John Ostrander (quadrinhos), David Ayer
Duração: 130 min.
Nota: 4 ★★★★☆☆☆☆☆☆

Baseado na aclamada série de HQ, Esquadrão Suicida, o filme dirigido por David Ayer, leva às telas do cinema uma equipe de vilões como protagonistas. Apesar das grandes expectativas envolvendo a produção, criada por trailers interessantes e ótimas caracterizações apresentadas nas imagens de divulgação, a história não se utiliza da força dos personagens e se desenrola frustrantemente.

Dando continuidade a saga da DC Comics que, aos moldes da Marvel, prepara o seu “grande evento” com A Liga da Justiça, Esquadrão Suicida segue os acontecimentos de Batman Vs Superman: A Origem da Justiça. Enquanto o Homem-Morcego faz sua intensa busca para formar a nova equipe composta por outros super-heróis, o governo americano, liderado Amanda Waller (Viola Davis), traça o seu plano para não ficar nas mãos nem deles, e muito menos desprotegidos contra novos ataques. Assim tem inicio o Projeto X, que consiste em uma força-tarefa formada pelos piores vilões encarcerados sobre a vigília do governo. A serviço desse projeto ultrassecreto, os vilões terão novamente acesso a armas e ficarão de prontidão para enfrentar possíveis ameaças ao país.

O filme começa bem, apesar dos erros na apresentação rápida de cada personagem e sua origem. Vemos uma ótima caracterização de cada um deles e um grande elenco: Will Smith (Pistoleiro), Jared Leto (Coringa), Margot Robbie (Arlequina) e Joel Kinnaman (Rick Flag), o que poderia dar errado? Pensa o publico ansioso se ajeitando na cadeira para ver o desenrolar da história. Como tantos personagens no mínimo excêntricos irão interagir na tela? Pergunta-se ainda. Mas, a partir daí, as coisas não andam muito bem. O roteiro se mostra fraco e mais do que previsível, as histórias paralelas são pouco aprofundadas e o vilão Coringa, o mais interessante, é bem pouco explorado.

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Embora se tenha criado uma grande expectativa para ver o “novo” coringa em ação, o personagem pouco aparece na versão apresentada agora nos cinemas, e os integrantes do esquadrão são de fato os protagonistas. Mesmo com a coragem de apostar num grupo de personagens menos conhecidos, os problemas só aumentam, pois ao juntar esse grupo o longa não sabe muito bem como desenvolver sua história.

Depois daquela temerosa apresentação de cada um, suas motivações e principalmente suas posturas como temidos e lunáticos vilões são deixadas para trás, quase esquecidas por completo. O que vemos então são repetidas e nem sempre engraçadas piadinhas entre eles, decisões controversas e um pífio convencimento de suas histórias ou razões.

Sabem aqueles filmes de máfia, matadores de aluguel ou trapaceiros, em que se sabe que os personagens são errados, mas mesmo assim, com algum desconforto, criam-se laços e até uma certa cumplicidade entre o espectador e eles? Pois bem, em Esquadrão Suicida, essa empatia é conquistada de forma muito fácil, o que é ruim, pois assim perde-se por completo a crença em cada um dos personagens: Eles não são maus de verdade e muito menos aquele é um Esquadrão Suicida.

A intenção de Esquadrão Suicida era agradar os fãs mais ávidos, mas é difícil que tenha sucesso. O ambiente é dark, sombrio, mas nunca maléfico de fato, e o uso repetido e previsível de diálogos bem humorados incomoda.

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Na contramão dessas adversidades encontradas no roteiro e na construção visual, o elenco não desaponta. Baseado no que tem em mãos, cada um faz um bom trabalho. Viola Davis é quem mais se aproxima do termo vilã; Margot Robbie consegue passar a mensagem de que sua personagem é louca, sem medo ou noção – e olha que o diretor tenta estragar isso, forçando essa mensagem quase sempre, virando a câmera para a moça como quem diz: “vai lá, Arlequina, o que tem a dizer?”; Will Smith na pele do Pistoleiro é talvez o único vilão que, por meio de sua filha, ainda tem algo que se aproxime de um conflito de consciência, e o restante, não convence.

Restava outra dúvida ainda: qual seria a abordagem do ator Jared Leto para interpretar o Coringa? Famoso por encarnar profundamente seus personagens, o ator parece ter feito uma mistura das interpretações de Jack Nicholson e Heath Ledger. Se não desaponta, por outro lado não apresenta nada de novo.

Pra não dizer um desastre completo, a trilha sonora de Esquadrão Suicida é muito boa, clássicos desde Creedence Clearwater Revival à Eminem dão um bom ritmo às cenas de ação. De todo modo a única coisa que talvez explique a existência de Esquadrão Suicida seja a ponte para futuros filmes da DC. Vamos aguardar e torcer para que Batman e a Liga da Justiça, como heróis de verdade, salvem as novas produções.

Um Grande Momento:
Perseguindo o Coringa.

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