(Mirror, Mirror, EUA, 2012)

Aventura
Direção: Tarsem Singh
Elenco: Julia Roberts, Lily Collins, Armie Hammer, Nathan Lane, Jordan Prentice, Mark Povinelli, Joe Gnoffo, Danny Woodburn, Sebastian Saraceno, Martin Klebba, Ronald Lee Clark, Robert Emms
Roteiro: Jason Keller, Marc Klein, Melisa Wallack
Duração: 106 min.
Nota: 4 ★★★★☆☆☆☆☆☆

Ao longo dos anos, a história da Branca de Neve e os Sete Anões tem sido contada e recontada por diversas gerações e das mais variadas formas possíveis. A primeira vez que este clássico da literatura infantil foi visto nas telas de cinema, foi pelas mãos do genial e visionário Walt Disney, que em 1937 escolheu este conto de fadas para lançar a primeira animação em longa metragem. O filme surpreendeu Hollywood e chegou a ganhar um Oscar especial, criado só para ele.

No ano em que a animação de Disney completa 75 anos, Branca de Neve volta à cena com o seriado televisivo “Once Upon a Time”, no longa-metragem Branca de Neve e o Caçador, ainda inédito no Brasil, e no recém-lançado Espelho, Espelho Meu. Este último tenta fazer uma releitura da história escrita pelos irmãos Grimm. Mas é apenas uma tentativa. Nem mesmo a presença de Julia Roberts no papel da Rainha Má salva esta obra de uma história mal contada e pobre em sua execução.

Quando pensamos na Branca de Neve, logo vem à mente a imagem daquela moça meiga, ingênua e indefesa das garras da rainha que tem inveja da sua beleza e quer, a todo custo, se tornar mais bela do que ela. A intenção do filme dirigido por Tarsem Singh (A Cela e Imortais) é exatamente desmistificar esta imagem, digamos, angelical que a personagem possui. Esta missão foi dada a Lily Collins, jovem atriz que, além de ser filha do Phill Collins, integrou o elenco de Um Sonho Possível.

Nesta história, Branca de Neve é levada para a floresta pelo atrapalhado Brighton (Nathan Lane), ajudante da Rainha Má, e não pelo Caçador, como na versão original. O desejo da rainha, é casar-se com Príncipe Alcott (Armie Hammer), que aparece de uma terra distante, a fim de abocanhar a sua fortuna, uma vez que se esgotaram praticamente todas as possibilidades de extorquir os moradores do reino com impostos. Paralelo a isto, a heroína enturma-se com sete anões que usam pernas de pau e são extremamente bons de briga. Rebatizados de Açougueiro, Grim, Tampinha, Napoleão, Lobo, Riso e Rango, os anões treinam Branca para que a garota seja parte do bando que adora se vingar dos ricos. O príncipe é o típico bobão atrapalhado que não consegue vencer os pequenos vingadores, acaba sempre voltando para o castelo derrotado (e sem roupa) e sendo confortado pela rainha.

O filme tenta dar aos papéis femininos o poder de condução da trama. São elas que têm que demonstrar força e não terem participações passivas. Branca, desta vez, de boba não tem nada. É ela quem toma a iniciativa em diversas cenas, inclusive nas de interação com o príncipe. A rainha é vaidosíssima, quer manter a sua beleza e não mede esforços nos tratamentos estéticos. A ideia no papel é até boa, mas a execução disto é quase desastrosa. A começar pelo abismo de talento entre as protagonistas.

Lily Collins é abocanhada por Julia Roberts, que se aproveita do seu carisma e transforma a Rainha Má na figura que o espectador mais quer ver na tela. É um festival de caras e bocas proposital de uma personagem que manda em todos e odeia ser contrariada. Julia Roberts deve ter se divertido horrores ao fazer algo sem ter a preocupação de manter a fama de “namoradinha de Hollywood”, que ela e algumas outras atrizes carregam todas as vezes que entram em cena. Do outro lado, temos a jovem atriz de 23 anos que só consegue destaque quando contracena com Armie Hammer, isto porque, a concepção do que é um príncipe vai toda para o beleléu neste filme. Só para dar uma noção, em uma das passagens, o coitado toma uma poção mágica errada e se transforma praticamente num cachorro de madame. E assim, entre momentos bem bobos e infantis e outros que lembram comédias mais juvenis, o roteiro segue até o final conhecido por todos.

Há (poucos) acertos nos filme. O seu figurino e a direção de arte são ótimos. Fogem totalmente da estética convencional de reinados e castelo de outras produções. Nada de cores sóbrias, o colorido predomina de uma forma alegre, bem colocado em cena. Mas isto não é suficiente para encobrir a deficiência do roteiro que não cria uma história consistente.

Releitura é algo delicado, ainda mais neste caso de um clássico extremamente difundido. É necessário que a produção seja mais convincente naquilo que quer passar. Anões “altos” por usarem pernas-de-pau, príncipe bonachão, mulheres no comando, é muita tentativa de contar uma história diferente para um final tão igual aos outros. No final das contas, Espelho, Espelho Meu é um filme sem carisma, facilmente esquecível, que só traz alguns momentos de diversão para aqueles que vão assisti-lo sem maiores pretensões.

Um Grande Momento

o tratamento de beleza da Rainha Má.

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