(There Be Dragons, EUA/ARG/ESP, 2011)

Drama
Direção: Roland Joffé
Elenco: Charlie Cox, Wes Bentley, Dougray Scott, Rodrigo Santoro, Jordi Mollà, Derek Jacobi, Golshifteh Farahani, Geraldine Chaplin, Unax Ugalde, Ana Torrent, Charles Dance, Lily Cole, Olga Kurylenko
Roteiro: Roland Joffé
Duração: 120 min.
Nota: 3 ★★★☆☆☆☆☆☆☆

Mais uma vez Roland Joffé erra a mão ao levar às telas histórias grandes e complexas demais. Ao romantizar a história de vida do padre Josemaria Escrivá, fundador da Opus Dei, o diretor também roteirista mistura relações familiares mal resolvidas, paixões não correspondidas, histórias de uma velha babá e aparições divinais à guerra civil espanhola.

A história de Josemaria, canonizado pelo Papa João Paulo II no ano de 2002, é contada através das memórias do antigo amigo de infância e colega de seminário Manolo Torres, despertadas depois que seu distante filho, o jornalista Robert, decide conhecer melhor a história para, quem sabe escrever um livro.

Se Joffé surpreendeu em Os Gritos do Silêncio e conseguiu manter as expectativas em A Missão, aqui ele supervaloriza o que de pior havia nestes dois primeiros filmes e, além de cansar o espectador, demonstra que tem uma dificuldade em reciclar e modernizar a sua forma de fazer cinema. O que não seria exatamente um problema caso esta forma não tivesse mostrado-se tão ineficiente (e ultrapassada) em outros títulos seus como Vatel – Um Banquete para o Rei, Misteriosa Paixão e no doloroso A Letra Escarlate.

O exagero aqui está em todo lugar: na direção de arte, nas marcas dos atores, na maquiagem e, principalmente, na irritante trilha sonora, que não um descanso sequer. Tudo muito evidente e incômodo, mas que fica pior sob um roteiro cheio de frases de efeito e mais preocupado em falar muito do que em se aprofundar nos dramas e características íntimas de seus personagens.

A fotografia, de Gabriel Beristain, sempre eficiente em filmes de ação, tem os seus acertos, mas incomoda em quadros que tentam ser inovadores, como o do despertar no reflexo da torradeira ou o das duas crianças vistas através das lentes dos óculos de grau.

O resto da equipe técnica escolhida por Joffé chama a atenção pelo ecletismo, já que mistura especialistas de gêneros muito específicos, como o já citado Beristain. A trilha sonora ficou a cargo de Robert Folk, cheio de comédias no currículo, como Loucademia de Polícia, Ace Ventura e Cruzeiro das Loucas; o desenho de produção é de Eugenio Zanetti, conhecido por saber trabalhar o sombrio em filmes como Linha Mortal e A Casa Amaldiçoada e pela poesia visual do também sombrio Amor Além da Vida; o figurino, de Yvonne Blake, já mais variada, mas conhecida por Super-Homem e Jesus Cristo Superstar, e a edição, de Richard Nord, outro especialista em ação e adrenalina, editor de Passageiro 57, O Fugitivo e 11:14 e que, dentre os colegas, é talvez o mais prejudicado.

O volume da história e seu mau desenvolvimento acabam prejudicando as atuações que, mesmo com a dedicação dos atores, ou não se destacam, ou ficam aquém da média. A exceção talvez seja Charlie Cox e seu simpático Josemaria Escrivá, ainda que não tenha espaço para qualquer aprofundamento.

Uma boa história, com muitos eventos diferentes a serem explorados, mas que resta completamente prejudicada pelo modo como foi contada.

O filme integra a mostra Panorama do Cinema Mundial no Festival do Rio 2012.
Próximas exibições:
Dia 02/10, às 16:30 e 21:30, no Kinoplex Leblon 4
Dia 05/10, às 15:00 e 21:40, no Estação Vivo Gávea 5

Um Grande Momento

Não há.

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